sábado, 30 de setembro de 2006

Nem sempre digo o que sinto e na maior parte das vezes digo o que não penso…


Uma palavra é apenas isso, nós é que lhe damos a devida importância, que a recheamos com sentimentos, que as tornamos mais belas ou mais feias.
É o que digo com os olhos que tem de facto valor.
São eles a janela da minha alma, que vai transparecendo, mesmo sem querer, o que penso, o que sinto.
A menina do olho dilata com o amor, com o disparar do coração…torna-se brilhante e reflecte o que de mais puro existe em mim.
Não é possível mentir com o olhar.
É nos meus olhos que tudo se passa…assim prefiro olhar, sem proferir uma única palavra, sem me comprometer com um vocábulo, sem me embrulhar numa panóplia de gestos que me comprometem…sei que nunca direi o que sinto, apenas direi o que não penso!
Resta então o meu olhar…

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Que fado o meu...

Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Não estou em mim…apetece-me gritar bem alto. Abrir a janela do meu quarto e gritar com toda a força que existe em mim.
Estou naqueles dias em que nada corre bem.

Acordei tarde, resultado de uma fraca noite de sono…a manhã teve de ser dobrada em duas para que tivesse tempo de fazer tudo e mais alguma coisa. Quando saí de casa apanhei tudo o que era caramelos na estrada. Enfim, um verdadeiro terror!
Não consegui praticamente falar com o meu “Romeu” (amor impossível) e no trabalho perdi um negócio que já estava registado no ranking de produtividade. Um calhordas que anda a ver se me dá a volta à cabeça com negociações de taxas. Ai se lhe pudesse rogar uma praga…

Para terminar, quando cheguei a casa, tinha uma carta na mesa da entrada, endereçada a mim…uma carta da PSP. Pensei logo que seria alguma novidade das minhas matrículas “desviadas”.
Enganem-se quem pensou o mesmo.
Era sim uma multa de estacionamento.
Ohhhhhhhhhhhhhhh dizem vocês…
Pois o dia tinha de acabar a mexerem no meu bolso…esta famosa multa foi-me passada em Março, em Belém…enquanto passeava com a minha filhota.

E eu agora pergunto: E as minhas belas chapas? Porque não andam “eles” à procura das minhas matrículas.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Ser poeta



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

domingo, 24 de setembro de 2006

Outono …


Os cheiros do campo já confirmam a chegado do Outono.
Os campos perdem os tons quentes e o verde rompe o chão às primeiras chuvas.
Os frutos que sobraram nas árvores estão agora caídos e são absorvidos pela terra faminta.
As nuvens tornam o céu num manto de algodão e o vento trás o cheiro da terra molhada. Adoro o cheiro das primeiras chuvas.
Já sabe bem calçar umas meias, vestir um casaco…e a noite já convida a dormir abraçada a um edredão quente, que torna a cama um local de conforto onde depositamos os nossos sonhos.
Entre as casas da aldeia, sente-se o cheiro das lareiras. Chegou a altura em que todos transportam, de uma forma mecânica, a lenha para os seus lares. O Inverno parece chegar com algum rigor e todos o querem receber com o maior conforto.
Adoro o cheiro de lenha queimada, o som dos toros a estalar ao calor, a luz que emana a salamandra…

Foi-se o verão…os beijos salgados, o toque da pele morena…mais uma vez ficam as lembranças num quadro pintado a aguarela, apenas em tons quentes.

Chegou o sopro húmido do Outono…tudo se renova…

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Folhas jamais perdidas...


Ontem reli alguns textos editados anteriormente e pensei, que trágico seria se tudo se tornasse realmente em folhas perdidas…perdidas para sempre, sem deixar rasto a não ser algumas lembranças.
Senti um arrepio na espinha…
Mesmo não tendo a certeza se isso poderá acontecer ou não, agi por impulso e copiei tudo para o Word e depois de dedicar algum tempo a ajustes, imprimi!
Imprimi tudo.

Abracei as folhas ainda quentes…de entre elas as letras saltavam freneticamente libertando os cheiros destes últimos dias, em que os sentimentos ainda estão à flor da pele.
Agora o blog renascia das cinzas em forma de livro, com corpo, cheio de vida.
Já me tinha esquecido como é bom o cheiro do papel…como é delicioso o aroma picante da tinta.
Só assim tive noção de quantas foram as palavras que partilhei convosco desde Janeiro.
Alegrias, vontades, desgostos, muita saudade, um verdadeiro turbilhão de emoções. Verdadeiros desabafos, gritos ensurdecedores…ribombando palavras… mas no fim, garantidamente, o sentimento era de alívio…paz…um estado muito zen.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Um pequeno desabafo...dois na mesma noite...isto promete ; )


Sabes, às vezes sinto-me um rato num pequeno labirinto...e que alguém se ri às minhas custas enquanto me esmurro contra as paredes. Sinto que estou longe da saída e que até lá vou ter de ultrapassar obstáculos abismais.
Talvez nunca encontre o meu queijo…mas uma coisa é certa, não vou desistir!
A incerteza torna-me mais forte e mesmo que chegue o fim sem o encontrar sei que ao menos não me entreguei à inércia…

A vida é um misto de emoções…

A semana começou muito bem.
Voltei a rever alguns de amigos com quem trabalho, pessoas que me fazem falta para completar o meu dia. Entre nós reina sempre a boa disposição e mesmo quando um de nós se sente mais em baixo, os restantes fazem a animação de tal forma que é impossível resistir-lhes. Um bem-haja para todos eles.

Hoje senti-me eufórica, não havia razão aparente…acho que é normal depois de um fim-de-semana de cheio de conclusões e alguma introspecção. Consegui digerir o que se havia passado na sexta e hoje tudo se esclareceu…estou em paz comigo…e isso é o que é preciso.
Agora sei que tenho uma semana pela frente…e a cada dia farei uma nova descoberta, sobre mim, por mim, para mim.
Já dizia a outra: se eu não gostar de mim, quem gostará?

domingo, 17 de setembro de 2006

Ficou-me no ouvido...porque não partilhar...



Eu gostava de olhar para ti

E dizer-te que és uma luz

Que me acende a noite, me guia de dia e seduz...

Eu gostava de ser como tu

Não ter asas e poder voar

Ter o céu como fundo, ir ao fim do mundo e voltar...

Eu gostava que olhasses para mim

E sentisses que sou o teu mar

Mergulhasses sem medo, um olhar em segredo, só para eu

Te abraçar...

O primeiro impulso é sempre mais justo, é mais verdadeiro...

E o primeiro susto dá voltas e voltas na volta redonda de um beijo profundo...

Eu...

Eu não sei o que me aconteceu...

Foi feitiço!O que é que me deu?

Para gostar tanto assim de alguém

Como tu...

sábado, 16 de setembro de 2006

Lost...


Esta 1º quinzena de Setembro foi bestial…sempre com bom humor, muita força espiritual, paz interior e uma boa capacidade de resolução para os problemas…
A sexta, porém, já não foi tão famosa…encontrei umas quantas pedras no caminho que fui removendo com alguma dificuldade.
Acho que tudo se resolve, mas chego à conclusão, que a resolução de um problema deixa sempre alguém “pendurado”. Não é um hábito meu mas na sexta-feira baldei-me a um jantar com amigos, por distracção, esquecimento, pensei que seria na sexta seguinte…não sei se entenderam a minha ausência mas a minha consciência ficou pesada…como se tivesse “pecado”.
Sinto que a minha cabeça não dá para tudo e ultimamente tenho tido a agenda cheia de compromissos inadiáveis, situações profissionais, financeira e até mesmo de saúde. Alguma coisa tem de ficar para trás.

Para terminar a semana em beleza…consegui finalmente obter a resposta para algo que já previa há muito tempo.
Ainda não estou em mim…estou um pouco perdida.

domingo, 10 de setembro de 2006

A eterna saudade!


Que esperais, Esperança? – Desespero.
Vós, vida, como estás? – Sem esperança.
Que dizeis, coração? – Que muito quero.
Que sentis, como viveis? – Sem confiança.
Quem vos sustenta, logo? - Uma lembrança.
E só nela esperais? – Só nela espero.
Em que podeis parar? – Nisto em que estou.
E em que estais vós? – Em acabar a vida.
E tende-lo por bem? – Amor o quer.
Quem vos obriga assim? – Saber quem sou.
E quem sois? – Quem de todo está rendida.
A quem estais rendida? – A um só querer.

Camões

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Com a força da Lua.


E lá passou mais uma semana… o veneno continua entranhado nas veias de quem me rodeia, só que agora sinto que estou cada vez mais imune, talvez tenha sido do contacto permanente ou das injecções a que me auto mediquei.
As vezes, tenho dificuldade em entender o raio ganha esta gente, ao infernizar a vida aos outros. É uma coisa complicada…eu cá não chateio ninguém, cada um faça lá a vida como bem entende, mas esta gentinha não me larga. Tentam fazer de tudo para me “queimar”, dão voltas e voltas e arranjam sempre um esquema novo para me “cortar” as pernas. Ai…que pachorra que eu tenho que ter para aturar isto.
A verdade é que cada vez estou mais tolerante. Já não perco a cabeça ao primeiro contratempo, mas o apoio dos amigos têm sido um elemento chave e aqui fica um pequeno exemplo.
Esta semana roubaram-me as matrículas do carro. Nem imaginam a minha cara ao ser apanhada por esta surpresa, sim porque com este carro já me aconteceu de tudo mas ainda não me tinha estreado nestas bolandas do “saca a chapinha”. Pois que tremi, suei, praguejei e se não fosse o facto de estar acompanhada por dois amigos acho que até tinha chorado. Entre a queixa na esquadra e o pedido de umas matrículas novas a aventura durou até à meia noite…estava de rastos, cansada e com a roupa encharcada…
Acabamos sentados num banco de rua, na Gare do Oriente a fumar um cigarro e a rir de tudo aquilo…afinal não passou de um pequeno que se resolveu em 4 horas e o que ficou bem assente na minha memória, foi o companheirismo que mais uma vez quero ressalvar.
Como costumo dizer a um amigo: os amigos são para estas coisas.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Ai os 30...



Tem razão quem diz…tudo passa!
Sinto-me calma, com uma enorme paz de espírito, afinal as férias sempre deram o resultado esperado. Talvez tenha sido daquela terapia, aconselhada por uma boa amiga, a de abraçar árvores. Os dias têm corrido bem, com uma ou outra coisinha, mas que tento não ligar, para que não me afecte de forma alguma. Tenho-me dedicado ao meu trabalho de corpo e alma e confesso que ao final do dia sabe-me bem, agora é só aguardar para ver se serei recompensada por isso. Estou habituada a trabalhar num local onde só se valorizam as mesquinhices.
Sinto que finalmente consegui criar um bom círculo de amigos…é pequeno, mas em muita qualidade, feito de gente boa, de bons valores, gente com alma. Parece estranho mas sinto que hoje em dias as pessoas são ocas e frívolas e por isso mesmo sei que estes amigos são um achado.
A família vai bem! Estamos em estado zen. Sem conflitos, sem discussões, problemas de saúde ou atritos financeiros.
Amo a minha filha, os meus pais a minha irmã e a minha avó e sinto que todos os dias eles me retribuem o mesmo amor. Tenho sentido o cheiro da manhã…o do anoitecer…ligo às coisas pequenas…que no fundo são tão importantes na vida. Acho que estou no bom caminho…
Como diz a minha mãe: Os 30 fizeram-te bem!!!!

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Enfim...o que tem de ser têm muita força.


Hoje é oficialmente o meu último dia de férias…
Volto hoje a Lisboa…sei que parece estranho mas vou começar a trabalhar a uma sexta-feira. Depois volto a Santarém para passar o fim-de-semana.
Na minha última postagem estava um pouco em baixo e o facto de voltar à grande cidade estava a deixar-me confusa, hoje estou mais calma e sinto-me mais segura de que esta será mais uma fase da minha vida que irei superar, como tantas outras pelas quis passei.

O que não me mata torna-me cada vez mais forte!


quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Não quero voltar...

Não sei o que diga, não sei o que pense…
As férias estão a acabar e espera-me uns bons 8 meses a trabalhar. O regresso à minha mesa de tarefas não está a ser fácil. Gosto do que faço mas o meio é hostil. Sinto falta de quem está ausente, uns porque a vida o exige, outros porque o destino lhes sorriu…vejo-os partir e a saudade aperta. Sei que os laços se mantêm cá fora, depois do horário laboral mas ainda assim não posso deixar de comentar a falta que me fazem.
Agora resta-me o cinismo, o qual sou obrigada a engolir, tudo para o bem do ambiente entre colegas de trabalho. Não me apetece voltar!
Confesso que ainda ficaram duas boas companhias, que se reflectem também em duas grandes amizades, sem eles seria impossível aguentar as pressões da hierarquia, as facadas das colegas e o desgosto financeiro.
Pensei que as férias me iam trazer alento, que nestes dias iria encontrar uma força, em algures escondida…não encontrei nada de novo!

Soube por portas e travessas que alguém me adiciona como característica profissional o gostar de cortar na casaca. Achei depreciativo…primeiro porque esse alguém não me conhece bem, lida comigo apenas profissionalmente e ainda por cima disse-me que eu tinha de ser mais activa, participar mais na equipa.
Na cara disse-me que era muito calada e que inclusive achava-me triste e depois no meio das suas anotações contempla-me com um comentário vil. Aceito criticas construtivas, aceito que demarquem os meus defeitos para que daí me torne alguém melhor, mas não aceito o que sei no íntimo não ser verdade. Resta agora a mágoa e a vontade de não voltar a aquele covil.

Vou voltar, não tenho dúvidas, a vida assim o exige, mas voltarei cada vez mais fechada, com cada vez menos palavras. Não vou viver do trabalho, vou apenas sobreviver ao trabalho.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Uma parte de nós...


Uma das filhas da terra fez hoje 81 anos… sentada à mesa com a pouca família que ainda lhe respeita a idade e todo o esforço de uma vida, celebrou mais um ano.
As rugas que trás no rosto mostram que o tempo foi cruel e lhe deixou assim, em forma de socalcos sobre a pele, as marcas de quem viveu carregando sempre os seus fardos. Este ultimo ano levou-lhe a vista, mas não é isso que lhe causa mágoa, mas sim o facto de ser velha, de se tornar para alguns um estorvo…por não ter em sua volta a família, o carinho do filhos, o amor dos netos. É a solidão que a mata por dentro a cada minuto que passa.
O abandono é típico por estes montes…o abandono de quem os amou uma vida inteira, de quem os ensinou a andar, de quem lhes deu a mão quando estavam doentes e lhes beijou a testa ao deitar.
Os mais velhos ficam sós…entregues a um passado que só relembram através de fotografias a preto e branco. São postos de parte como algo que deixou de funcionar, que está velho e gasto.
Eles são a nossa vida, os velhos!
Não seríamos nada nem ninguém se não fossem os “nossos” velhos. Depois de tanto que por nos fizeram, nada será mais justo que retribuir agora com algo que custa tão pouco, mas que é tão valioso para eles. O amor…carinho…a nossa atenção. É tudo o que precisam.
Ninguém deveria estar entregue à solidão.


“Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.”

Eugénio de Andrade

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Eu e o campo...enfim sós!

Estou zen! Completamente.
Não tenho de me levantar ao som do despertador do telemóvel, tomo o pequeno-almoço no jardim, com muita calma, ao som dos passarinhos onde corre uma brisa matinal, fresca, que transporta o cheiro da Madresilva que cresce junto ao muro que rodeia a casa. Sem pressa, posso apreciar a esta hora da manhã o pão quente, cozido a lenha, em comunhão com a família.
As horas que se seguem são igualmente tranquilas, entre os mergulhos refrescantes na piscina e salpicos entre os livros e a música. Faço o que gosto sem o sentido de obrigação ou constrangimentos temporais.
O almoço é sempre leve e animado…temos por habito debater alguns assuntos do dia em volta da mesa. Gosto disso! Venham os temas, tudo menos política (odeio discutir política…é um mundo hipócrita).
A tarde…oh a tarde é fabulosa…faço a sesta!
Sim, eu faço a sesta quase todos os dias. Basta fechar as cortinas para tornar mais escuro o meu ninho e lá estou eu, de papo para o ar a meditar alguns minutos sobre estes grandes momentos. Não demoro a dormir e não é um leve “passar pelas brasas” pois chego a sonhar.
Só me atrevo a sair à rua ao final da tarde…quando o sol está mais fraco e o vento se sobrepõe soprando ao de leve.
A piscina é novamente o meu local de eleição, dividindo agora o meu tempo entre o jardim e a bricolage. Gosto de caiar o muro, arrancar ervas daninhas, ajudar na decoração…não é fácil…moldar o que está sempre em crescimento. A minha grande companheira nestes “trabalhos forçados” é a minha mãe.
Como eu aprecio estes momentos familiares, acho que é da idade!
O jantar é pouco significativo visto que por aqui se como qualquer coisa, nada de sofisticado, digamos que é a refeição mais ligeira. Muitas vezes vamos a pé até ao café, caminhando por entre os campos repletos de melão, meloas, melancias, pimentos e tomate. Mas o que me dá mesmo muito prazer é passar pela figueira abandonada ao pé da estrada, em terra de ninguém, ou alguém que simplesmente não marca posse. É uma arvore dotada do seu fruto que emana um cheiro doce e intenso que me faz crescer água na boca. O café da mais perto é o mais típico possível. Os visitantes mais frequentes são as moscas, os velhos, e note-se que respeito esta palavra e não a banalizo, ficam sentados, pensativos, bebendo a típica agua das pedras, ou a cerveja fresquinha que vão sorvendo em golos pequenos, para que o prazer se entenda por mais tempo. A “dona da casa” serve-nos com o carinho que se torna raro na cidade. Tudo aqui é mais pequeno, mais acolhedor. É um ambiente familiar. A Beatriz adora as nossas idas ao café, onde é presenteada, quando se porta bem (claro!), com um gelado fresquinho.
Acabo a noite a contemplar o céu estrado, as estrelas aqui parecem mais brilhantes, mais destacadas no negrume. Só se ouvem os grilos e aqui e ali uma coruja que se atreve a desafiar o silêncio. Mais uma vez, as conversas surgem…sentamo-nos na parte da frente da casa…lugar onde se sente mais fresco a esta hora. Ontem falávamos em Ovnis e novas descobertas espaciais.
Aqui o tempo passa mais devagar…tranquilamente!
Como diz a minha filha: Ah senhores, isto é que é vida!

sábado, 19 de agosto de 2006

Why not?


“As nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder, o que com frequência poderíamos ganhar, por simplesmente ter medo de arriscar.”

William Shakespeare

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Longe do mundo...


Estive ausente nestes últimos dias por razões profissionais e por outras também.
Durante a semana de 7 a 11 de Agosto estive em Pombal a trabalho e fartei-me de escrever, as palavras saíam de uma forma mágica…estava inspirada. Acho que era pelo facto de estar num zona muito calma, sem aquele stress citadino, no qual estou mergulhada diariamente.
Encontrei por lá muita coisa boa, fiz tudo o que tinha a fazer e acho que dei o meu melhor e consegui atingir o meu objectivo profissional para aquela semana, mas bom era o depois do horário de expediente… dirigia-me até ao hotel com sensação de liberdade louca, tomava um duche, isto por volta das 17h00, e depois deixava-me lá ficar até à hora do jantar, deitada sobre a cama a escrever o que me ia na alma. Enquanto os corpos derretiam na rua sob o calor intenso, onde se registavam 42 e 43 graus, eu estava no fresco de um quarto acolhedor, que embora me fosse completamente estranho não deixava de ser reconfortante. Senti-me muito bem lá…longe de tudo e todos.
Pensei, ponderei, questionei, fiz contas de cabeça e recalculei o saldo devedor que trago no peito…mas encontrei respostas e soluções para quase tudo.
Ao cair a noite, o fresco chegava de mão dada com a Lua e só nessa altura é que eu voltava a sair da “toca”.
Jantei umas vezes sozinha outras acompanhada e em qualquer uma das vezes, a noite acabava a tomar uma água das pedras numa esplanada repleta de emigrantes radiantes por estar de volta à terra.

Fez-me bem esta semana…
Fez-me bem sair daqui…deixar a nuvem de fumo que trago por cima da cabeça…
Fez-me bem!

Queria transpor tudo o que escrevi durante aquela semana mas como hoje em dia já não uso papel, a tecnologia deixou-me na mão. A pen perdeu tudo o que tinha, deu-lhe uma daquelas coisinhas más e puffffffff, lá se foi mais uma folha da minha vida.

sábado, 5 de agosto de 2006

Uma data feliz...


Pois é…faz hoje 30 anos que vi a luz do dia pela primeira vez…
Não me envergonho de dizer a minha idade, com ela vêm a experiência, a sabedoria e a mente eternamente jovem.
Não carrego a idade nos ombros, sinto-me tenra e cheia de vida.
Espero agora conseguir atingir os meus objectivos nos próximos 30 anos e concretizar alguns dos meus sonhos, pelo menos os menos ambiciosos.
Este último ano trouxe muita coisa…muitos sentimentos à mistura e penso que tive muitas alterações de humor, mas como já vos tinha dito num post anterior, deve ser da Bipolaridade (lol).
Para fecho de conta, posso concluir que não foi bom, nem mau…foi…mais um ano.
Hoje, no entanto, acordei de bem com o Mundo e um sorriso rasgado que me acompanha até agora. A razão é simples…ontem, fui ver o concerto da Sara Tavares, no Casino Estoril. Um verdadeiro bálsamo para os meus ouvidos. Depois de tantos dias de fúria, revolta, angústia e um profundo aperto no peito, ao som da sua voz doce, unida a um ritmo africano, consegui finalmente atingir um estado zen.
Na companhia de duas amigas, uma mais recente que a outra, brindamos a Vinho do Porto e Licor Beirão o meu 30º aniversário ao bater da meia-noite. Adorei!
Posso até adiantar que foi uma entrada fantástica, num ambiente soberbo.
Foi uma grande prenda, Sara, cantares assim para mim…obrigado!

A razão da minha felicidade deve-se também a algo muito simples, mas muito importante para mim. Recebi a primeira mensagem de parabéns, via sms, de uma pessoa amiga, que muito me surpreendeu…pela positiva.
Obrigado pela lembrança e espero que desta vez a tua amizade tenha voltado para ficar!

Ser amigo é saber perdoar!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Estou a precisar de férias…


O que vale é que já só faltam 2 semanas.
Não tenho mais forças para continuar sem antes carregar baterias…

Vivam as férias e os dias em que não se faz nenhum, aos dias sem relógio, sem agenda…sem som no telemóvel. Viva o sol e a praia, viva a piscina.
Viva a liberdade…

Os dias custam a passar, mas não tarda estarei livre desta teia que é a hipocrisia laboral, o ninho sórdido e mesquinho em que me encontro, não tarda… estarei livre e solta para voar de encontro as minhas tão esperadas férias.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

O maior cego é aquele que não quer ver.


Há coisas que são evidentes e que eu me recuso a ver, ou porque não me quero magoar, ou porque não me convém. Tenho de estar sóbria e ter noção da realidade.
Ultimamente tenho falado com uma amiga, recente, bem certo, mas alguém por quem já tenho uma grande consideração. Dá-me muito e nunca pede nada em troca e por incrível que pareça está sempre por perto quando é preciso. Têm-me dado conselhos e expôs as coisas de uma forma diferente, até porque se encontra numa posição neutra e isso dá-lhe um outro campo de visão. Foi ela que me fez compreender que estava errada e que o meu feitio caprichoso não me leva a lado nenhum, que devo ser humilde e lutar pelo que vale a pena. Mas afinal…não vale a pena!
Pela primeira vez nem sei como explicar o que me envolve neste negrume.

Dei o melhor de mim, não fiz simplesmente um papel, fui amiga…fui confidente, partilhei momentos, alegrias…fui como sou e o que pedia em troca era apenas amizade, consideração. Não obtive nada!

O mundo de hoje é assim, frio e mecânico. Nada se faz por sentimento, existe sempre uma conveniência e hoje as amizades são descartáveis, ao fim de algum tempo são postas de parte e renovadas por sangue fresco.

Termina hoje este capítulo e no futuro a luta será outra, eu própria estou cansada de falar sobre o mesmo, esgotei todas as minhas ideias e não consigo concluir mais nada.

Moral da história: vale sempre a pena quando a alma não é pequena…
A minha é enorme mas é dotada de um tal discernimento capaz de distinguir o que realmente vale ou não a pena!

terça-feira, 18 de julho de 2006

Go with the flow...


É precisamente isto que tenho feito… deixo-me ir com a corrente, misturada no meio do cardume.
Ainda estou meio tonta do trambolhão que dei mas aos poucos a ferida vai fechando e não tarda só resta a cicatriz. Eu sei que é assim, é sempre assim…desta vez não será diferente. Por isso a cada dia que passa o sol nasce com mais força e isso dá-me ganas! Não vou andar triste, abatida…melancólica, tenho é de andar para a frente. Até já encontrei uma vantagem para tudo isto, voltei a escrever, pois este aperto no peito dá-me para isto, bom, podia ser pior, podia dar-me para chorar…mas eu não sou assim. Também choro, claro mas só quando a dor bate, agora, sinto-me dormente!
A vida são dois dias e eu sinto que já vou a meio.

Às vezes não compensa o que se dá para o que se recebe em troca no entanto, nunca me arrependo do que não fiz, mas do que deixei por fazer, por isso, toca a remar o barco para a frente e nada de olhar para trás.

Um brinde aos novos ventos e à nova maré!

sábado, 15 de julho de 2006

Amanhã...


Nada melhor do que água fria para esfriar a cabeça, as ideias tornam-se mais claras e o cenário já não parece tão negro.
O desabafo é de facto a melhor ajuda para estes casos, mas já que eu não sou muito dada à confissão verbal, desabafo sobre o teclado que é tão bom confidente como qualquer outro.
Ontem fui jantar a casa a casa de pessoas amigas, amigas mesmo e acredita que a companhia não podia ter sido melhor. É gente que apenas quer curtir a vida e que está bem com tudo e mesmo tendo os seus problemas, os nossos encontros são sempre animados. São o meu ginseng…
Ontem estava mais leve, sentia-me muito melhor.
Sei que posso contar os meus amigos pelos dedos de uma só mão, mas estes valem mais do que alguma vez possas imaginar. É bom saber que eles estão lá quando realmente precisamos.
Hoje, depois de vários banhos de piscina e muito sol à mistura, dedico-me à família, que são o meu verdadeiro berço e que não falham nestes momentos críticos.
Agora, a mágoa passou e embora com alguma tristeza, sei que amanhã tudo será diferente, pois cada vez que me desiludo, cresço como ser humano, como mulher…aprendo com tudo isto e sei que me torno uma pessoa mais realista.
Voltei a abrir a pestana!

Não nego que me fazes falta, pois a tua amizade era algo especial para mim, sei que para além de mim, existem mais alguns seres que não são deste planeta, mas que por obra do destino se dobram em dois por forma a conquista um cantinho na terra.
Enganei-me e tu não és nem de longe o que eu imaginava.
Somos diferentes mas não faz mal.

No entanto eu sei o que sinto e por isso não minto… não vou desistir assim… não consigo dar-me por vencida, sem ir à luta e enquanto houver esperança…

Os amigos são para essas coisas, para lutar por nós, mesmo quando o que queremos é estar sós, que nos deixem em paz, no nosso canto. Eu vou estar aqui…e quando o vento mudar sabes onde me encontrar.

Dia infernal

Há coisas que não entendo e por mais que me esforce não consigo sequer obter uma pista.
Não estou bem com aquilo que rodeia, sinto-me mal e tenho o estômago embrulhado, não gosto de estar assim!
Apetece-me gritar, bater, desaparecer daqui e nunca mais voltar.
Odeio isto tudo, só me apetece praguejar.
Que ódio, estou mesmo mal e não consigo dar a volta por cima…arghhhhhh
Que revolta, que merda, que merda!

Bolas, o tempo não passa e eu sinto que estou a ficar sem forças estar aqui, é possível que não consiga estar aqui nem mais um minuto, vou rebentar não tarda.
Jurei que nunca mais me encontraria nesta situação, jurei a pés juntos e agora….merda, estou metida nisto outra vez.
É embaraçante, acima de tudo é isso que sinto, vergonha… lamento não ser diferente mas eu sou assim, e não consigo mudar, não que não queira, mas porque não consigo…quero gritar!
Apetece-me largar tudo e sair, deixar tudo para trás, sem porquês, sem dizer uma palavra…estou a fazer um esforço sobre-humano para não chorar…sinto que vou deixar sair uma ou outra lágrima…sinto isso…
Porque me mangoa assim??? Porque é que nunca consigo estar algum tempo sem me chatear, sem sentir este peso no peito, este buraco enorme que me puxa para o fundo do poço.

Ai…como me dói o peito só de pensar, é um aperto esmagador…
Que revolta sinto agora, por não poder gritar, por não poder dizer o que me vai na alma. Só me resta isto…umas folhas perdidas num espaço cibernético, onde mal cabe a minha dor, a minha mágoa…o aperto que sinto no peito.

Se a vida fosse um filme esta seria a altura em que me iria fechar na casa de banho a chorar, porque é o que me apetece…chorar assim, sem mais nem menos, chorar desalmadamente como quem pede colo, sem vergonha, sem medo. Mas a realidade é que eu sou forte, ou melhor, todos me vêm assim.
Por fora trago um ar austero, não quero que se metam comigo, que me perguntem nada, se o fizerem perco a compostura e transformo-me num muro das lamentações. Prefiro que pensem que estou nos meus dias não. Segundo quem conhece estas caras, esta atitude resulta e não acredito que alguém se atreva a puxar conversa. Prefiro assim… pois por dentro estou feita em frangalhos…tremo e sinto o coração a mil, salta assim porque está assustado.
Engana-se quem achar que o coração só sofre quando se trata de amor.
Para mim esta pequena máquina é a vida e como tal reage a tudo o que nela se passa. Para o amor há-de ter um cantinho especial, esse, no meu caso, está fechado a sete chaves, não deverá ser usado, mas de resto sinto-o dorido….dorido de tantas emoções, de alterações de humor constantes…da alegria que senti ontem e da tristeza que irei sentir amanhã, do vai e vem da minha vida, do castelo que tantas vezes reconstruo depois de tantas vezes se desmoronar…e cada vez que o faço, uma pedra fica pelo caminho, perdida, levando assim um pedaço de mim.
O que é isto que sinto, que escrevo, que penso? O que é?
Qual é a solução? Como fazer para esclarecer esta situação?

Não fosse isto e não sei o que seria… obrigado por seres o meu desabafo…
Sei que não compreendes e por isso não perguntes, não saberia responder…nem eu mesma sei…apetece-me escrever para variar os monólogos da minha vida. Ao menos desta vez…parto triste mas mais leve...sei pelo menos que isto não é um remédio mas é um calmante.
Obrigado!

Nota: Acho que é sensato dizer que este desabafo ocorreu ao final do dia e foi a melhor forma que eu encontrei para não rebentar e perder a razão.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Faz pensar...



Há duas formas de viver a vida:
Uma é acreditar que não existe o milagre
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.


Albert Einstein



domingo, 2 de julho de 2006

Este ano fico por cá...

Ultimamente não me tem dado para escrever, não sei se por falta de tempo, se por falta de tema. As aulas acabaram e agora tenho mais tempo para me dedicar aos prazeres da vida, não fosse as horas que perco no trabalho e até poderia dizer que estou numa fase feliz…bom, não se pode ter tudo e o trabalho faz bem… a qualquer coisa que ainda não percebi bem.
Assim a minha vida tem sido mais soft, entre a lida doméstica e o emprego, encontro sempre tempo para fazer o que mais gosto, agora o problema é mesmo esse, eu gosto de fazer tanta coisa…que nem sei para onde me virar.
Este ano não vou poder viajar para o estrangeiro e isso deixa-me triste. 2006 é um ano de contas, de poupanças e de algum esforço financeiro. Tenho de ser pragmática e calcular tudo ao centímetro. Resta-me então aproveitar ao máximo uma ou outra escapadinha do tipo “vá para fora cá dentro” e nos momentos mais saudosistas aproveito e relembro as duas últimas viagens maravilhosas que fiz nos dois anos que passaram.

Em 2004 fui para o Egipto, esta era a minha viagem de sonho, consegui concretiza-la e foi magnífica. Andei anos a imaginar como seria e acredita que foi mesmo excelente. Descobri cantos lindíssimos, cheiros exuberantes… o por do sol africano que é de um esplendor radiante. Ao vivo tudo tem outra dimensão, senti-me esmagada com tão nobre e majestosa arquitectura. Como fiquei apaixonada pelo cheiro do Norte de Africa e pela cultura muçulmana, no ano seguinte fui rumo à Tunísia. Mais um encanto. Sem querer comparar com o Egipto, pois isso seria impossível, achei este país maravilhoso. Os contraste do deserto com as lindíssimas praias, os cheiros dos mercados…enfim mais uma panóplia magníficas maravilhas que o mundo nos oferece.

São estas viagens que me dão alento para suportar as horas que desperdiço, fechada, dentro do edifício onde trabalho. Mas este ano tenho de procurar forças noutro projecto. Este é um ano de poupança, da paz, do sossego… quero estar sempre em estado zen e não me aborrecer com nada. Contarei sempre até dez, ponderando todas as altitudes. Já que não posso dedicar-me ao conhecimento de novas culturas, dedico-me então a quem me rodeia.
Para o ano tenho a certeza que será um ano de viagens e de muitas outras coisas boas.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

O submarino


Submarino é a história de um casal moderno (vivido por Miguel Falabella e Teresa Guilherme) e as suas dificuldades no relacionamento. Usando e abusando do humor, os autores traçam um quadro divertido, emocionante e mordaz sobre a impossibilidade de se manter um casamento ou de se viver sozinho numa grande cidade, neste novo milénio.
Esta comédia romântica é uma viagem pela vida, pelas diferentes crises da idade e paralelamente as crises que se vão vivendo numa relação a dois. César é corretor da bolsa de valores e Rita, uma bibliotecária. O casamento deles atravessa inevitáveis altos e baixos e eles contabilizam as próprias separações e os eternos reencontros. "O casamento é igual a um submarino. Até bóia, mas foi feito para afundar", diz Rita numa das cenas, sintetizando o humor e o espírito da comédia romântica que reúne os dois actores.
São as farpas e as ironias sobre o casamento nos dias de hoje.

Fui ver np sábado e adorei! Palmas para os dois.
Não posso deixar de partilhar convosco que a personagem de Falabella é o máximo, acreditem que é de ir às lágrimas.
Mais uma peça que vos aconselho a ver.

domingo, 11 de junho de 2006

É assim a vida!


Fico espantada quando vejo que não sou a única…
Não estou só quando sinto falta de carinho de conforto… andamos todos tristes, por uma ou outra coisa…por que nos falta algo, porque andamos cansados de tentar remar contra a maré e atingir os nossos objectivos.
No fundo andamos todos ao mesmo, sentimo-nos incompreendidos, solitários…às vezes até abandonados, mesmo depois de ouvir aqueles típicos discursos de que a vida é bela e que há sempre alguém em pior situação do que nós. É uma realidade que não desconhecemos, no entanto, algo nos puxa para baixo… e não nos deixa ser inteiramente feliz.

Estou de férias e não tenho feito outra coisa senão reflectir. Penso a mil à hora e nesta paz, que é o campo, as ideias arrumam-se na minha cabeça, de uma forma organizada e parece que vejo no fim do túnel uma luz. Sei que é uma luz temporária… não sei se também acontece convosco, mas quando estamos longe de tudo e de todos, achamos que no nosso regresso à urbe tudo será diferente, vamos ser mais fortes, mais determinados, vamos fazer valer os nossos direitos… vamos levar uma vida mais saudável a todos os níveis, físico e mental, vamos aproveitar cada segundo como se fosse o último. Isto é pura Utopia.
Eu vou voltar e passadas as primeiras 24 horas já estarei de rastos com o stress, com a azáfama da cidade, com as intrigas profissionais e com o eterno desgosto amoroso. Isto é um ciclo vicioso e nada mais me resta senão aguardar as minhas próximas férias…

Não tarda vou fazer 30 anos…
Não me assusta a idade, nem as rugas, para mim idade é sabedoria, mas não consigo deixar de pensar que vou chegar aos trinta sem conseguir realizar um terço dos meus objectivos. É isto que me consome, que me aflige…
Mas uma coisa posso garantir, não vou cruzar os braços, não vou baixar a cabeça, quanto mais velha, mais teimosa e por isso mesmo por mais cabeçadas que dê mais gana terei para seguir em frente, lamento-me sim nestas folhas perdidas mas no fundo encontrarei sempre forças para ser, enfim… feliz!!!

Não posso deixar de dizer que existe alguém que me dá imensa força e que me trás felicidade todos os dias… a minha filha, Beatriz! É uma menina linda que fez este mês 6 anos e é a minha melhor obra, ela têm tudo de bom que há em mim e é uma criança muito especial, vale a pena tentar, mais que não seja por ela.


domingo, 4 de junho de 2006

O meu é o prédio amarelo!


Estes são aqueles domingos típicos que eu adoro. A família está toda na cozinha em volta dos petiscos. Cada um dedica-se ao que faz de melhor… he he eu estou a fazer sangria! O almoço será carne de porco à alentejana com umas amêijoas enormes e suculentas… as entradas de queijo e carnes frias…shlep shlep, é de crescer água na boca.
Uns bebem moscatel e outros martini, sempre bem gelados afogando o limão… hum… e que bem que isto escorrega.
A música que se ouve é uma mistura de rituais africanos e asiáticos. O dia está bem animado. Acho que hoje vai ser impossível não descansar um pouco de tarde, vamo-nos render à tão rara sesta no gigantesco sofá da sala enquanto se aprecia uma série ou um bom filme e o fresco entra de quando em quando pela janela, que aberta nos mostra o castelo imponente, protegendo a cidade.
Estou exausta de tanto convívio.
Viva o verão, viva a família… quem precisa de milhões se este tipo de felicidade custa tão pouco?

( nota: devo dizer que a sangria tomou conta de mim, poderá assim este texto estar um pouco...ic...ic... regado!)

domingo, 28 de maio de 2006

Hoje está uma daquelas noites…


Corre uma brisa, a lua está envolta num manto de nebulosidade que faz adivinhar a frescura da madrugada. São noites perfeitas…ainda para mais sendo Domingo, em que já não apetece a confusão devido à farra dos dois últimos dias. Apetece sim, ir para um local calmo onde se possa estar tranquilo, aproveitando os sons e as luzes nocturnas da cidade, agora mais brandas. O calor exige algo fresco, para além do pano leve sobre a pele, nada melhor do que um líquido aromático e gelado para nos refrescar até à alma.
Não sei se é da idade, mas cada vez mais, aprecio este tipo de lazer… o do não fazer literalmente nada, gozar apenas, a vista, as gentes, os cantos mágicos que Lisboa tem para oferecer.
A calmaria agrada-me e inunda-me as veias, quero cada vez mais…

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Sei lá eu...


As pessoas desiludem-me a cada dia que passa.
Isto traz-me a eterna dúvida: são as pessoas que falham ou sou eu que estou a agir incorrectamente? Não sei responder de imediato, pelo menos não sem ter de ponderar alguns pontos importantes sobre esta questão.
Já tinha comentado antes sobre este tipo de desilusão, no entanto não frisei que a que mais magoa é aquela que surge de onde menos se espera. Se aparece de quem poucos nos importa…bom pelo menos para mim é indiferente, se bem que a harmonia em geral faz bem a toda a gente, mas quando a desilusão chega de mão dada com alguém que cresceu no meu peito… alguém por quem se tem consideração, respeito, com quem se partilha o dia…
A mim não me interessa se é amigo de infância ou se é uma amizade recente, interessa sim as afinidades que se criam, os pontos comuns, a simpatia mútua, o poder da confissão. É a este tipo de coisas que eu dou valor, mas poderei estar errada, compreendo isso, mas como tudo na vida, para poder entender esse outro lado da questão tenho de encontrar primeiro a razão.
Sei lá eu o que está certo ou errado, só sei o que sinto… e o que sinto faz-me mal!

domingo, 14 de maio de 2006

Abre a pestana

Pior cego é aquele que não quer ver… será que tenho aberto bem os olhos, para o mundo, para o que me rodeia? Sinto que estou outra vez embriagada pela ilusão. São tantas as vezes que isto acontece que já tenho a alma dormente e já não sei o que sinto…
Enfim…nem há mais nada a dizer, ou melhor…uma última coisa

Abre a pestana de uma vez por todas!

sábado, 6 de maio de 2006

1755 O Grande Terramoto

Na passada sexta – feira fui ver uma peça ao Teatro da Trindade.
Uma peça cuja acção começa antes do terramoto lisboeta de 1755 e culmina nas consequências que este teve.
Aconteceu no dia 1 de Novembro do mesmo ano às 9h20 da manhã, originando a destruição quase completa da cidade. Este sismo, que atingiu os 9 graus na escala de Richter, é considerado dos mais funestos da História. Antes da catástrofe natural, a tensão entre os grupos sociais é evidente e as lutas políticas proliferam.
Por fim, com a cidade já destruída, surge uma nova mentalidade, pois o abalo vivido em Lisboa teve um grande impacto, não só pela destruição que causou, mas também pelas mudanças político e socio-económicas que injectou na sociedade portuguesa do século XVIII.
Sob a alçada governativa do Marquês de Pombal e do rei D. José I, Lisboa ganha nova vida, num ambiente burguês, sem escravos ou cristãos novos e com escolas públicas e um intenso comércio.
Dentro da trama, incluem-se duas pequenas histórias: a de Mariana e do seu presumível incesto com o conde de Unhão e a ascensão ao poder do Marquês de Pombal.
Uma peça muito bem interpretada com actores excelentes reencarnado as personagens castiças de um Portugal nobre mas cinzento.
Adorei os efeitos especiais, as cores, as músicas, o cenário.
Quero destacar o desempenho do actor João Lagarto que faz de D. Maurício de Soveral, Conde de Unhão, pela sua magnífica interpretação. Ainda assim quero reforçar que todo o elenco está de parabéns bem como quem está por de trás do “pano”.

Recomendo vivamente!
Aproveitem já que a peça vai estar em cena de quarta-feira a sábado às 21:00 e aos domingos às 16:00 até 29 de Julho.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Bairro Alto

Outrora conhecido como Vila Nova dos Andrades, é uma zona fascinante de ruas empedradas adjacentes às zonas do Carmo e do Chiado, com ruelas e becos, cantos escuros, com casas degradadas e pequenas mercearias.
Construído em finais do século XVI, o Bairro Alto é um dos locais mais pitorescos da cidade. Parte dos prédios foram ou estão a ser recuperados, mantendo-se o traçado original de outros tempos, o que veio permitir a instalação de novos e alternativos espaços comerciais. Encontramos aqui lojas de decoração com um estilo arrojado e vanguardista, ateliers de estilistas que ditam a moda do Jet7, e as lojas de tatuagens e body piercing para os que gostam do prazer da “dor na carne”.
Desde os anos 80 que é a zona mais conhecida da noite lisboeta, com inúmeros bares e restaurantes a par das casas de fado. Nos últimos 20 anos adquiriu assim uma vida muito própria e característica, onde se cruzam várias gerações na procura de divertimento nocturno. Aqui não se distinguem tendências, modas, sexos ou raças, todos se movem como uma massa humana seguindo um ritmo quase mecânico que entope as ruas estreitas. Pessoas de todas as idades visitam as capelinhas como se fosse uma verdadeira peregrinação não movida apenas pela fé mas também pela vontade, pela sede.
Em cada esquina um bar, uns do tipo tasca típica de azulejos de casa de banho e balcão de alumínio, onde as bebidas são baratas mas alcoólicas que é o que se pede. Outros de balcão estreito e bancos de pé alto onde não cabem mais de vinte sedentos…Outros mais serenos, como o que tem na sua entrada uma trémula luz vermelha. O interior ressuma um bálsamo jazístico e um fundo de conversa, direccionado mais à clientela intelectual que encontra na noite companhia para uma mão cheia de conversa.
-Ora venha lá esse moscatel!
Agrada a todos o ambiente caseiro a companhia dos amigos e uma boa conversa regada com um líquido aromatizado...um brinde...à noite Lisboeta!

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Hipócritas!

Quase perto dos 30 anos e continuo a aprender o que já devia saber de cor.
É incrível como as pessoas ainda me conseguem desiludir e engana-se quem pensar que estou a lamentar um desgosto amoroso.
Estou mais uma vez a falar dos ditos “amigos”, aqueles que nós consideramos como tal porque convivemos com eles diariamente, bebemos uns copos, troca-se umas confidências e Pum! Cá está um amigo.
Fazendo bem as contas, ter hoje em dia um amigo é o mesmo que acreditar no Pai Natal, nenhum deles existe e os que há por aí só aparecem em alturas de festa e são todos falsos. Ora nem mais, não podia ter feito melhor comparação.

Neste momento a realidade é que vivo rodeada de gente hipócrita que mostra que de facto quer ser amiga, mas que ao primeiro deslize despe a pele e lá se vai serpenteando para o bunker do inimigo, isto claro está em plena guerra!
Como é que se consegue deixar de ser amigo de um e passar a ser amigo do outro, do dia para a noite e sem razão aparente?

A única e válida resposta é: por pura conveniência.
Nada é como antes e isto digo com toda a certeza…
– Já não se fazem amigos como os de antigamente!

E repito, abaixo os falsos moralismos neste país de hipócritas!

sábado, 15 de abril de 2006

Páscoa perdida...


A Páscoa não é mais do que um feriado comercial. As antigas tradições a respeito da Páscoa vão sendo pouco a pouco esquecidas. Tal e qual como o Natal, as famílias só se preocupam com o Almoço de Páscoa, com a compra dos doces e presentes, com os pratos tradicionais… e tudo se baseia no que se come e no que se oferece.
Por que troca de presentes na Páscoa? O que se pode lamentar é o esquecimento das reais tradições e a consequente transformação em mais um feriado comercial.
Não deveríamos nós aproveitar a reunião familiar para acertar diferenças por ventura existentes, procurar no real significado da Páscoa, a meditação, o diálogo e a paz, e principalmente a harmonia e o perdão?
Passamos o ano inteiro entre intrigas e enredos familiares que nos vão corroendo o seio familiar, porque não aproveitar para por tudo na mesa e meditar sobre o assunto. Claro que não é somente na Páscoa que devemos ter esses pensamentos.
Eles deveriam fazer parte de nosso dia a dia. Mas da maneira como o mundo se apresenta, isso é pura utopia. O mundo inteiro está em pé de guerra. Se não é guerra fratricida entre irmãos de raça, é guerra religiosa e eu considero o cúmulo fazer guerra em nome de Deus. Ou então é guerra nas cidades, com a violência das ruas… mesmo as mais pequenas que se revelam entre famílias.No nosso dia a dia, estamos sempre em convívio com cenas de uma violência sem fim. Em casa, no trabalho, na TV… porque acredita que a violência pode aparecer sem ser em forma física, ela está aí, de uma forma ou de outra para reinar os tempos de hoje. Ultimamente, a maldade humana tem-se esmerado em demonstrações de revolta e de luta sem razões aparentes, misturando o direito com o poder, sem noção da realidade, onde se tenta corrigir injustiças com mais injustiças. Guerras até mais não!
Enfim... assim caminha a humanidade.
Pelo menos, então, no recesso de nossos lares, vamos procurar essa comunhão espiritual, ao menos nestes dias, procuremos esquecer a violência externa, e tentar ser simplesmente humanos na sua verdadeira essência.

sábado, 8 de abril de 2006

Sem dúvida!

Não me adianta de nada desabafar os problemas, pois estes não se dissolvem e depois para agravar a situação ainda fica o constrangimento.
Já sou demasiado transparente... porquê despir a alma para alguém que no fundo nem me conhece?

Não existe ninguém no mundo que me conheça bem...que saiba o que gosto ou não gosto, como vou ou não reagir perante determinada situação, coisas tão básicas como a minha comida favorita, ou a minha música predilecta. A minha cor, o meu filme…
O que é um verdadeiro amigo?
Não conheço a resposta. Não sei se isso se justifica pelo facto de nunca ter estado muito tempo no mesmo lugar, tomando quase uma vida nómada, pois se o normal é viveres a tua infância numa mesma casa rodeado sempre dos mesmos amigos…isso não aconteceu comigo.
Até hoje já mudei de casa umas oito vezes e cada vez que o fazia alguma coisa ficava para trás. Sinto que a minha vida recomeçou estas tantas vezes, nunca se recuperando do que fui perdendo. Talvez por isso ainda hoje mantenha algumas coisas pessoais dentro de uma mala…à espera que chegue o momento de mudar outra vez.
Admiro quem tem amigos de infância, são esses que certamente nos conhecem melhor, por isso sabem o que esperar de nós, sabem os nossos mais terríveis segredos, as traquinices e partilharam certamente os momentos mais felizes desses tempos.
Ou mesmo os colegas que nos acompanharam durante todo o liceu, faculdade, malta dos copos que mais tarde encontramos em jantares de aniversário, de convívio, ou nos casamentos de quem a par e passo lá vai arrumando a vida.
Chega então a altura em que os amigos são as pessoas que trabalham connosco, com quem almoçamos todos os dias, as pessoas que se sentam perto de nós durante todo o dia e com quem temos mais afinidade... é com essas pessoas que eu passo a maioria das horas, por curioso que pareceça... sem dúvida o trabalho consome-nos a vida.

A música faz todo o sentido...



Quando veio mostrou-me as mãos vazias
As mãos como os meus dias
Tão leves e banais.
E pediu-me que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo
Não partas nunca mais.
E dançou,
Rodou no chão molhado
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa a cada beijo teu
Esta noite sou…
Dona do céu!
Eu não sei quem te perdeu...

Abraçou-me como se abraça o tempo,
A vida num momento,
Em gestos nunca iguais
E parou
Cantou contra o meu peito
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais,
E partiu sem me dizer o nome
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa a cada beijo teu
Esta noite sou…
Dona do céu!
Eu não sei quem te perdeu...

domingo, 2 de abril de 2006

Um brinde


Nem sempre me apetece escrever, ou porque falta assunto ou porque me falta a coragem… e ás vezes porque considero que escrevo mas não consigo dizer nada de jeito.
Hoje é um desses dias…ando aqui às voltas das teclas mas as palavras misturam-se na minha cabeça e não conseguem sair por uma ordem lógica.


Não me sinto triste, como já tinha comentado antes, estou a passar uma fase “primaveril” em que tudo me parece bem. Sinto-me bem quando acordo, sinto-me leve ao deitar, acho que nem tenho pensado nos problemas para não afastar esta boa disposição.
Normalmente esta fase acontece por duas vezes no ano, a primeira no fim de ano, onde cresce em mim uma força brutal para mudar tudo em minha volta. Bem sei que é em vão as promessas que faço, nunca as consigo cumprir. Penso que isso também acontece convosco, quem não prometeu que ia deixar de fumar, ou que ia deixar de parte a rotina, fazer desporto, entrar de vez em contacto com a natureza, procurar um trabalho melhor, deixar de mentir… cada caso é um caso, mas no fundo a intenção é sempre a mesma, tanta vontade no inicio mas depois… ò vida! Quem consegue?
A outra fase semelhante a esta é o Verão…ah o Verão… pelo menos comigo resulta, talvez porque seja uma altura de novas paixões. Tudo parece mais belo… as peles morenas, o fins de tarde na praia, as fantásticas saídas com os amigos nas noites quentes, em que o luar por si só nos trás uma energia inesgotável.
Os meus melhores momentos, são passados no Verão… até porque Agosto é o meu mês. Vivam as ruas animadas, o convívio do café. O tempo quente. A sangria!!! Eu sou louca por sangria! Um brinde ao que vem a seguir.

Está na altura de deixar sair os fantasmas do armário.
Acho que este ano o Verão chega mais cedo (se é que me entendem)!

quinta-feira, 30 de março de 2006

O tempo faz milagres!


A boa disposição continua, talvez seja mesmo do efeito amenizador da Primavera.
De qualquer forma sinto que algo está a mudar, de facto com o tempo tudo passa…

Aqui fica um dos meus poemas preferidos de Florbela Espanca.
(está tudo dito)


A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo “Pedro Sem”,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco de um tormento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre…desfaz-se…
Uma saudade morte em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida…

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, Meu Amor, se é isto a vida!

Sonetos de Florbela Espanca

sábado, 25 de março de 2006

E tudo o vento levou...


Sinto-me particularmente bem disposta!
O vento mudou de direcção, está a soprar a meu favor e eu vou aproveitar a boleia.
Sei que é apenas uma fase, mas porque não aproveitar ao máximo esta lufada de ar fresco? Ao menos sei que se cair outra vez, entre a ascensão e a queda sempre aproveitei alguma coisa.


Que se lixe os moralismos!


quarta-feira, 22 de março de 2006

Confesso...


Um dos meus grandes receios sempre foi o facto de me expor ao ridículo, pode parecer inacreditável mas eu sou uma pessoa envergonhada, pouco social. Quem me conhece, diz agora com toda a veemência: TU?
Sim, eu!!!
Eu quero parecer forte, senhora de si, aquela pessoa que sabe sempre o que fazer ou dizer em todas as alturas, mas não é verdade e só eu sei como não é verdade.
Sou insegura, fraca, acanhada não luto pelo que quero… sei que vou estar sempre à espera que tudo se transforme naturalmente sem o meu esforço, sem ter de me expor, sem sequer me preocupar com as consequências.
Às vezes minto a mim mesma e começo o dia com uma força imensa que parece inundar tudo e todos, chego inclusive a convencer-me de que sou assim, até ao primeiro obstáculo. Depois volto a fazer a minha melhor arte, refugiar-me… não interessa no quê, um cigarro, uma saída, um cinema…muitas e muitas folhas de papel e lá estou eu na minha carapaça longe do mundo, longe de quem me possa magoar.
Talvez por tudo isto nunca consiga falar dos meus sentimentos abertamente, sem rodeios ou floreados, escrevo como se contasse uma história, mas a minha vida não é uma história, é real, onde nem tudo é bonito, nem tudo é perfeito.
Sou uma pessoa instável e isso tende a piorar com o passar dos anos, até porque acho que estou cada vez pior, talvez por falta de elasticidade mental, ou até mesmo porque a idade nos torna cada vez mais sóbrios.
Ultimamente mudo de humor de uma forma brutal, ora ando uma semana com uma energia inesgotável, ou assim parece, ou então ando melancólica e quase sempre ausente deste planeta. Quem me rodeia sente isso! Depois perguntam-me: não andas nos teus dias pois não?
Como é que são os meus dias para notarem a diferença? E porque não tenho eu a capacidade de me camuflar de forma a não tornar tudo isto tão óbvio?
Claro está que depois vou negar tudo, dizendo que de facto padeço apenas de um mal-estar passageiro, mas que não tarda estou outra (como se isso fosse possível, pois sim!).

Tenho de me capacitar que não faz mal chorar na frente dos outros, não é um acto de fraqueza mas sim de confiança. Não ter medo de errar sendo esse um gesto tão humano. Aceitar que nem sempre posso ser o centro das atenções, porque mais alguém merece partilhar o pódio comigo. Aceitar um não com a convicção de que quando se fecha uma porta em algures se abre uma janela. Acreditar no impossível, questionar o inevitável… Tenho de ter fé… é no fundo esse o meu problema, não ter fé.



terça-feira, 21 de março de 2006

A minha cidade...Lisboa.


Na semana passada encontrei sobre uma das sete colinas da cidade o mais radioso pôr-do-sol. Ao fim da tarde, depois da azáfama do dia-a-dia o sol deitou-se lentamente, com todo o seu esplendor soube pintar o céu de um tom laranja vivo, quente e harmonioso…
Há dias, em que à tardinha, espreito a cidade do seu altivo castelo e encontro sempre algo de novo. Um cheiro, uma cor… há tanta vida em meu redor. As pessoas são como formigas que se deslocam freneticamente, sempre atarefadas, nas ruas, nas praças, nos becos… sobem e descem as calçadas sem notar o que nelas há de melhor.
O toque do eléctrico com o soar grave do apregoar das varinas, sim porque em Alfama ainda se vende assim o peixe. As peixeiras…ai as peixeiras, essas sim têm sangue na guelra que com as cesta cheias de sabores do mar dão vida a estas ruas.
Que contraste interessante, pois se de dia a voz que se ouve é de trabalho, a da noite chega embrulhada em prazer, na voz das fadistas que lotam as casas típicas com gente da cá e muitos de fora.
A minha cidade é linda com as suas igrejas e o som dos seus sinos, com os seus miradouros, esses bairros castiços, essa gente bairrista que anda de tairoca…é o meu mundo, onde gosto de viver… é assim a minha velha Lisboa.

sábado, 18 de março de 2006

Não nego...



Assim eu sei que dói, porque te vi, pelo que senti.
Sei que moras aqui, no meu peito…
Se bem que hoje não passa de uma lembrança,
já não existe a essência carnal entre nós,
tudo o que resta são recordações de cheiros,
palavras ditas ao ouvido mas nunca ao acaso…
sei o que sinto e por isso não minto.
Ainda moras aqui!

Amor é...



Amor... é isto e muito mais...

Amor é.....
É uma misturada de sensações!
É uma confusão de sentimentos.
É tentar controlar o que não tem controle!
É tentar fugir ao que se está preso!
É tentar ser simplesmente feliz!
É dominar o que não se domina!
É querer chorar e sair um sorriso!
É ser livre estando-se preso!
É sonhar acordado!
É como o amanhecer sobre o horizonte
É sentir o calor dos raios a aqueçer
A brisa a soprar e a assobiar
Acordar e sentir um agitar
O coraçao a bailar sem parar
É viver e ter razao para acordar
Adormecer e desejar sonhar
Sorrir e chorar
Fechar os olhos e sentir
Deixar de ouvir e sentir a voz
Chorar baixinho sem saber porque
Porque o amor é assim
É ser feliz e é sofrer
É estar contente e sentir o mundo
É crescer e desejar ser criança
É ser criança e pensar como adulto
É preocupar em dar
É dar sem querer receber
E do nada encontrar uma razao de ser
Ser sem desejar existir!
Porque o amor é assim.

Assim espero... assim acredito!


sábado, 25 de fevereiro de 2006

Realidade


Ultimamente não tenho tido coragem para escrever, digo coragem porque é preciso tê-la para por a nu os nossos sentimentos. Sinto que tenho deixado de fazer muita coisa, desculpando-me com o facto de não tempo.
O tempo somos nós que o fazemos e há sempre tempo para fazer aquilo que gostamos. Eu gosto de escrever… acredito que estas páginas são as minhas maiores confidentes, nelas deposito a confiança que perdi no ser humano. Não digo isto com revolta mas sim com pesar… não deixo os meus sentimentos em mãos alheias, pois sinto que hoje em dia tudo o que nos rodeia é uma realidade cruel e insensível.
Hoje em dia não há espaço para lamechices, para romantismos, tudo é feito sobre a pressão do tão nosso conhecido stress. As palavras que se tornam a ordem do dia são a correria, a agitação, a dinâmica do viver. Eu luto contra isto, não digo que não, mas no fundo o ser humano passou a ser uma máquina que não vive, mas sobrevive neste mundo a preto e branco.
Quero ver as cores, parar para ver o azul do céu, o fresco verde dos montes… há quanto tempo não paras para ver uma bela tarde de Outono que trás tons quentes, as folhas caídas de um Verão cansado? A beleza da Primavera, viçosa e alegre? Quantas vezes dás por ti a admirar o céu?
Admirar o que é belo… é um dos meus prazeres. Mesmo nas noites de Inverno, em que o céu está encoberto, consigo encontrar uma Lua brincalhona que se ora se esconde, ora espreita com o seu sorriso fantástico… Sim, a Lua também sorri, pelo menos para mim…