terça-feira, 25 de abril de 2006

Bairro Alto

Outrora conhecido como Vila Nova dos Andrades, é uma zona fascinante de ruas empedradas adjacentes às zonas do Carmo e do Chiado, com ruelas e becos, cantos escuros, com casas degradadas e pequenas mercearias.
Construído em finais do século XVI, o Bairro Alto é um dos locais mais pitorescos da cidade. Parte dos prédios foram ou estão a ser recuperados, mantendo-se o traçado original de outros tempos, o que veio permitir a instalação de novos e alternativos espaços comerciais. Encontramos aqui lojas de decoração com um estilo arrojado e vanguardista, ateliers de estilistas que ditam a moda do Jet7, e as lojas de tatuagens e body piercing para os que gostam do prazer da “dor na carne”.
Desde os anos 80 que é a zona mais conhecida da noite lisboeta, com inúmeros bares e restaurantes a par das casas de fado. Nos últimos 20 anos adquiriu assim uma vida muito própria e característica, onde se cruzam várias gerações na procura de divertimento nocturno. Aqui não se distinguem tendências, modas, sexos ou raças, todos se movem como uma massa humana seguindo um ritmo quase mecânico que entope as ruas estreitas. Pessoas de todas as idades visitam as capelinhas como se fosse uma verdadeira peregrinação não movida apenas pela fé mas também pela vontade, pela sede.
Em cada esquina um bar, uns do tipo tasca típica de azulejos de casa de banho e balcão de alumínio, onde as bebidas são baratas mas alcoólicas que é o que se pede. Outros de balcão estreito e bancos de pé alto onde não cabem mais de vinte sedentos…Outros mais serenos, como o que tem na sua entrada uma trémula luz vermelha. O interior ressuma um bálsamo jazístico e um fundo de conversa, direccionado mais à clientela intelectual que encontra na noite companhia para uma mão cheia de conversa.
-Ora venha lá esse moscatel!
Agrada a todos o ambiente caseiro a companhia dos amigos e uma boa conversa regada com um líquido aromatizado...um brinde...à noite Lisboeta!

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Hipócritas!

Quase perto dos 30 anos e continuo a aprender o que já devia saber de cor.
É incrível como as pessoas ainda me conseguem desiludir e engana-se quem pensar que estou a lamentar um desgosto amoroso.
Estou mais uma vez a falar dos ditos “amigos”, aqueles que nós consideramos como tal porque convivemos com eles diariamente, bebemos uns copos, troca-se umas confidências e Pum! Cá está um amigo.
Fazendo bem as contas, ter hoje em dia um amigo é o mesmo que acreditar no Pai Natal, nenhum deles existe e os que há por aí só aparecem em alturas de festa e são todos falsos. Ora nem mais, não podia ter feito melhor comparação.

Neste momento a realidade é que vivo rodeada de gente hipócrita que mostra que de facto quer ser amiga, mas que ao primeiro deslize despe a pele e lá se vai serpenteando para o bunker do inimigo, isto claro está em plena guerra!
Como é que se consegue deixar de ser amigo de um e passar a ser amigo do outro, do dia para a noite e sem razão aparente?

A única e válida resposta é: por pura conveniência.
Nada é como antes e isto digo com toda a certeza…
– Já não se fazem amigos como os de antigamente!

E repito, abaixo os falsos moralismos neste país de hipócritas!

sábado, 15 de abril de 2006

Páscoa perdida...


A Páscoa não é mais do que um feriado comercial. As antigas tradições a respeito da Páscoa vão sendo pouco a pouco esquecidas. Tal e qual como o Natal, as famílias só se preocupam com o Almoço de Páscoa, com a compra dos doces e presentes, com os pratos tradicionais… e tudo se baseia no que se come e no que se oferece.
Por que troca de presentes na Páscoa? O que se pode lamentar é o esquecimento das reais tradições e a consequente transformação em mais um feriado comercial.
Não deveríamos nós aproveitar a reunião familiar para acertar diferenças por ventura existentes, procurar no real significado da Páscoa, a meditação, o diálogo e a paz, e principalmente a harmonia e o perdão?
Passamos o ano inteiro entre intrigas e enredos familiares que nos vão corroendo o seio familiar, porque não aproveitar para por tudo na mesa e meditar sobre o assunto. Claro que não é somente na Páscoa que devemos ter esses pensamentos.
Eles deveriam fazer parte de nosso dia a dia. Mas da maneira como o mundo se apresenta, isso é pura utopia. O mundo inteiro está em pé de guerra. Se não é guerra fratricida entre irmãos de raça, é guerra religiosa e eu considero o cúmulo fazer guerra em nome de Deus. Ou então é guerra nas cidades, com a violência das ruas… mesmo as mais pequenas que se revelam entre famílias.No nosso dia a dia, estamos sempre em convívio com cenas de uma violência sem fim. Em casa, no trabalho, na TV… porque acredita que a violência pode aparecer sem ser em forma física, ela está aí, de uma forma ou de outra para reinar os tempos de hoje. Ultimamente, a maldade humana tem-se esmerado em demonstrações de revolta e de luta sem razões aparentes, misturando o direito com o poder, sem noção da realidade, onde se tenta corrigir injustiças com mais injustiças. Guerras até mais não!
Enfim... assim caminha a humanidade.
Pelo menos, então, no recesso de nossos lares, vamos procurar essa comunhão espiritual, ao menos nestes dias, procuremos esquecer a violência externa, e tentar ser simplesmente humanos na sua verdadeira essência.

sábado, 8 de abril de 2006

Sem dúvida!

Não me adianta de nada desabafar os problemas, pois estes não se dissolvem e depois para agravar a situação ainda fica o constrangimento.
Já sou demasiado transparente... porquê despir a alma para alguém que no fundo nem me conhece?

Não existe ninguém no mundo que me conheça bem...que saiba o que gosto ou não gosto, como vou ou não reagir perante determinada situação, coisas tão básicas como a minha comida favorita, ou a minha música predilecta. A minha cor, o meu filme…
O que é um verdadeiro amigo?
Não conheço a resposta. Não sei se isso se justifica pelo facto de nunca ter estado muito tempo no mesmo lugar, tomando quase uma vida nómada, pois se o normal é viveres a tua infância numa mesma casa rodeado sempre dos mesmos amigos…isso não aconteceu comigo.
Até hoje já mudei de casa umas oito vezes e cada vez que o fazia alguma coisa ficava para trás. Sinto que a minha vida recomeçou estas tantas vezes, nunca se recuperando do que fui perdendo. Talvez por isso ainda hoje mantenha algumas coisas pessoais dentro de uma mala…à espera que chegue o momento de mudar outra vez.
Admiro quem tem amigos de infância, são esses que certamente nos conhecem melhor, por isso sabem o que esperar de nós, sabem os nossos mais terríveis segredos, as traquinices e partilharam certamente os momentos mais felizes desses tempos.
Ou mesmo os colegas que nos acompanharam durante todo o liceu, faculdade, malta dos copos que mais tarde encontramos em jantares de aniversário, de convívio, ou nos casamentos de quem a par e passo lá vai arrumando a vida.
Chega então a altura em que os amigos são as pessoas que trabalham connosco, com quem almoçamos todos os dias, as pessoas que se sentam perto de nós durante todo o dia e com quem temos mais afinidade... é com essas pessoas que eu passo a maioria das horas, por curioso que pareceça... sem dúvida o trabalho consome-nos a vida.

A música faz todo o sentido...



Quando veio mostrou-me as mãos vazias
As mãos como os meus dias
Tão leves e banais.
E pediu-me que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo
Não partas nunca mais.
E dançou,
Rodou no chão molhado
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa a cada beijo teu
Esta noite sou…
Dona do céu!
Eu não sei quem te perdeu...

Abraçou-me como se abraça o tempo,
A vida num momento,
Em gestos nunca iguais
E parou
Cantou contra o meu peito
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais,
E partiu sem me dizer o nome
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa a cada beijo teu
Esta noite sou…
Dona do céu!
Eu não sei quem te perdeu...

domingo, 2 de abril de 2006

Um brinde


Nem sempre me apetece escrever, ou porque falta assunto ou porque me falta a coragem… e ás vezes porque considero que escrevo mas não consigo dizer nada de jeito.
Hoje é um desses dias…ando aqui às voltas das teclas mas as palavras misturam-se na minha cabeça e não conseguem sair por uma ordem lógica.


Não me sinto triste, como já tinha comentado antes, estou a passar uma fase “primaveril” em que tudo me parece bem. Sinto-me bem quando acordo, sinto-me leve ao deitar, acho que nem tenho pensado nos problemas para não afastar esta boa disposição.
Normalmente esta fase acontece por duas vezes no ano, a primeira no fim de ano, onde cresce em mim uma força brutal para mudar tudo em minha volta. Bem sei que é em vão as promessas que faço, nunca as consigo cumprir. Penso que isso também acontece convosco, quem não prometeu que ia deixar de fumar, ou que ia deixar de parte a rotina, fazer desporto, entrar de vez em contacto com a natureza, procurar um trabalho melhor, deixar de mentir… cada caso é um caso, mas no fundo a intenção é sempre a mesma, tanta vontade no inicio mas depois… ò vida! Quem consegue?
A outra fase semelhante a esta é o Verão…ah o Verão… pelo menos comigo resulta, talvez porque seja uma altura de novas paixões. Tudo parece mais belo… as peles morenas, o fins de tarde na praia, as fantásticas saídas com os amigos nas noites quentes, em que o luar por si só nos trás uma energia inesgotável.
Os meus melhores momentos, são passados no Verão… até porque Agosto é o meu mês. Vivam as ruas animadas, o convívio do café. O tempo quente. A sangria!!! Eu sou louca por sangria! Um brinde ao que vem a seguir.

Está na altura de deixar sair os fantasmas do armário.
Acho que este ano o Verão chega mais cedo (se é que me entendem)!

quinta-feira, 30 de março de 2006

O tempo faz milagres!


A boa disposição continua, talvez seja mesmo do efeito amenizador da Primavera.
De qualquer forma sinto que algo está a mudar, de facto com o tempo tudo passa…

Aqui fica um dos meus poemas preferidos de Florbela Espanca.
(está tudo dito)


A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo “Pedro Sem”,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco de um tormento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre…desfaz-se…
Uma saudade morte em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida…

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, Meu Amor, se é isto a vida!

Sonetos de Florbela Espanca

sábado, 25 de março de 2006

E tudo o vento levou...


Sinto-me particularmente bem disposta!
O vento mudou de direcção, está a soprar a meu favor e eu vou aproveitar a boleia.
Sei que é apenas uma fase, mas porque não aproveitar ao máximo esta lufada de ar fresco? Ao menos sei que se cair outra vez, entre a ascensão e a queda sempre aproveitei alguma coisa.


Que se lixe os moralismos!


quarta-feira, 22 de março de 2006

Confesso...


Um dos meus grandes receios sempre foi o facto de me expor ao ridículo, pode parecer inacreditável mas eu sou uma pessoa envergonhada, pouco social. Quem me conhece, diz agora com toda a veemência: TU?
Sim, eu!!!
Eu quero parecer forte, senhora de si, aquela pessoa que sabe sempre o que fazer ou dizer em todas as alturas, mas não é verdade e só eu sei como não é verdade.
Sou insegura, fraca, acanhada não luto pelo que quero… sei que vou estar sempre à espera que tudo se transforme naturalmente sem o meu esforço, sem ter de me expor, sem sequer me preocupar com as consequências.
Às vezes minto a mim mesma e começo o dia com uma força imensa que parece inundar tudo e todos, chego inclusive a convencer-me de que sou assim, até ao primeiro obstáculo. Depois volto a fazer a minha melhor arte, refugiar-me… não interessa no quê, um cigarro, uma saída, um cinema…muitas e muitas folhas de papel e lá estou eu na minha carapaça longe do mundo, longe de quem me possa magoar.
Talvez por tudo isto nunca consiga falar dos meus sentimentos abertamente, sem rodeios ou floreados, escrevo como se contasse uma história, mas a minha vida não é uma história, é real, onde nem tudo é bonito, nem tudo é perfeito.
Sou uma pessoa instável e isso tende a piorar com o passar dos anos, até porque acho que estou cada vez pior, talvez por falta de elasticidade mental, ou até mesmo porque a idade nos torna cada vez mais sóbrios.
Ultimamente mudo de humor de uma forma brutal, ora ando uma semana com uma energia inesgotável, ou assim parece, ou então ando melancólica e quase sempre ausente deste planeta. Quem me rodeia sente isso! Depois perguntam-me: não andas nos teus dias pois não?
Como é que são os meus dias para notarem a diferença? E porque não tenho eu a capacidade de me camuflar de forma a não tornar tudo isto tão óbvio?
Claro está que depois vou negar tudo, dizendo que de facto padeço apenas de um mal-estar passageiro, mas que não tarda estou outra (como se isso fosse possível, pois sim!).

Tenho de me capacitar que não faz mal chorar na frente dos outros, não é um acto de fraqueza mas sim de confiança. Não ter medo de errar sendo esse um gesto tão humano. Aceitar que nem sempre posso ser o centro das atenções, porque mais alguém merece partilhar o pódio comigo. Aceitar um não com a convicção de que quando se fecha uma porta em algures se abre uma janela. Acreditar no impossível, questionar o inevitável… Tenho de ter fé… é no fundo esse o meu problema, não ter fé.



terça-feira, 21 de março de 2006

A minha cidade...Lisboa.


Na semana passada encontrei sobre uma das sete colinas da cidade o mais radioso pôr-do-sol. Ao fim da tarde, depois da azáfama do dia-a-dia o sol deitou-se lentamente, com todo o seu esplendor soube pintar o céu de um tom laranja vivo, quente e harmonioso…
Há dias, em que à tardinha, espreito a cidade do seu altivo castelo e encontro sempre algo de novo. Um cheiro, uma cor… há tanta vida em meu redor. As pessoas são como formigas que se deslocam freneticamente, sempre atarefadas, nas ruas, nas praças, nos becos… sobem e descem as calçadas sem notar o que nelas há de melhor.
O toque do eléctrico com o soar grave do apregoar das varinas, sim porque em Alfama ainda se vende assim o peixe. As peixeiras…ai as peixeiras, essas sim têm sangue na guelra que com as cesta cheias de sabores do mar dão vida a estas ruas.
Que contraste interessante, pois se de dia a voz que se ouve é de trabalho, a da noite chega embrulhada em prazer, na voz das fadistas que lotam as casas típicas com gente da cá e muitos de fora.
A minha cidade é linda com as suas igrejas e o som dos seus sinos, com os seus miradouros, esses bairros castiços, essa gente bairrista que anda de tairoca…é o meu mundo, onde gosto de viver… é assim a minha velha Lisboa.

sábado, 18 de março de 2006

Não nego...



Assim eu sei que dói, porque te vi, pelo que senti.
Sei que moras aqui, no meu peito…
Se bem que hoje não passa de uma lembrança,
já não existe a essência carnal entre nós,
tudo o que resta são recordações de cheiros,
palavras ditas ao ouvido mas nunca ao acaso…
sei o que sinto e por isso não minto.
Ainda moras aqui!

Amor é...



Amor... é isto e muito mais...

Amor é.....
É uma misturada de sensações!
É uma confusão de sentimentos.
É tentar controlar o que não tem controle!
É tentar fugir ao que se está preso!
É tentar ser simplesmente feliz!
É dominar o que não se domina!
É querer chorar e sair um sorriso!
É ser livre estando-se preso!
É sonhar acordado!
É como o amanhecer sobre o horizonte
É sentir o calor dos raios a aqueçer
A brisa a soprar e a assobiar
Acordar e sentir um agitar
O coraçao a bailar sem parar
É viver e ter razao para acordar
Adormecer e desejar sonhar
Sorrir e chorar
Fechar os olhos e sentir
Deixar de ouvir e sentir a voz
Chorar baixinho sem saber porque
Porque o amor é assim
É ser feliz e é sofrer
É estar contente e sentir o mundo
É crescer e desejar ser criança
É ser criança e pensar como adulto
É preocupar em dar
É dar sem querer receber
E do nada encontrar uma razao de ser
Ser sem desejar existir!
Porque o amor é assim.

Assim espero... assim acredito!


sábado, 25 de fevereiro de 2006

Realidade


Ultimamente não tenho tido coragem para escrever, digo coragem porque é preciso tê-la para por a nu os nossos sentimentos. Sinto que tenho deixado de fazer muita coisa, desculpando-me com o facto de não tempo.
O tempo somos nós que o fazemos e há sempre tempo para fazer aquilo que gostamos. Eu gosto de escrever… acredito que estas páginas são as minhas maiores confidentes, nelas deposito a confiança que perdi no ser humano. Não digo isto com revolta mas sim com pesar… não deixo os meus sentimentos em mãos alheias, pois sinto que hoje em dia tudo o que nos rodeia é uma realidade cruel e insensível.
Hoje em dia não há espaço para lamechices, para romantismos, tudo é feito sobre a pressão do tão nosso conhecido stress. As palavras que se tornam a ordem do dia são a correria, a agitação, a dinâmica do viver. Eu luto contra isto, não digo que não, mas no fundo o ser humano passou a ser uma máquina que não vive, mas sobrevive neste mundo a preto e branco.
Quero ver as cores, parar para ver o azul do céu, o fresco verde dos montes… há quanto tempo não paras para ver uma bela tarde de Outono que trás tons quentes, as folhas caídas de um Verão cansado? A beleza da Primavera, viçosa e alegre? Quantas vezes dás por ti a admirar o céu?
Admirar o que é belo… é um dos meus prazeres. Mesmo nas noites de Inverno, em que o céu está encoberto, consigo encontrar uma Lua brincalhona que se ora se esconde, ora espreita com o seu sorriso fantástico… Sim, a Lua também sorri, pelo menos para mim…

Camões


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Respiro fundo


Vivo cada dia como se fosse o último.
Sinto que o tempo passa por mim e deixa a sua marca. Quero aproveitar a força que sinto neste momento e alcançar os objectivos que tracei para um futuro próximo.
Acordo sempre com vontade de saber mais, viver mais, conhecer todos os cantos do mundo, mesmo os mais remotos.
Desejo ser livre para poder caminhar sobre os livros, conhecer pessoas novas, partilhar experiências, ter o céu como limite.
Mas no fundo a realidade é outra e os meus pés estão pregados no chão, diria mais, cimentados, completamente aprisionados à vida do dia a dia, à rotina. A aventura é sobreviver ao reboliço diário. Assim a realidade é que sou mais uma cidadã do mundo, nascida em Lisboa, cidade poética… que me entope as veias de poluídas palavras, sem sentido. Palavras proferidas sem sentimento, largadas ao vento sobre uma das sete colinas.
O tempo passa por mim, a voar, deixando as suas marcas, das quais me apercebo, vivendo cada dia como se fosse o último.

Viver sempre também cansa


Entre leituras, encontrei um poema que gostaria de partilhar convosco, é de José Gomes Ferreira e fala-nos sobre a monotonia da vida.

Viver sempre também cansa

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida…

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima de um divã
com a cabeça sobre a almofada,
confiante e sereno por saber
que tu me velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com o teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã.
agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela “

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo…

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Escrita


Nem sempre estou triste quando escrevo o que me vai na alma.
Na maior parte das vezes escrever faz-me feliz, deixa-me aliviada e como tal tudo fica mais fácil. Escrever é tão importante como o oxigénio que respiro, se não as traçar no papel definho lentamente até morrer… é essencial ver estes borrões de tinta, que marcam a minha vida, escritos, não interessa onde, numa folha de papel, num guardanapo, na palma da mão…
Escrever como quem fala, como quem canta, escrever como quem chora, quem ri…

Abraçar a vida com uma caneta, um teclado… o que interessa é usar as palavras para enriquecer o passado e o presente e brindar ao futuro.

Escrever a primeira palavra da manhã e a última da noite, as palavras especiais para as pessoas especiais, as palavras menos queridas, palavra por palavra, contar, relatar, descrever, imaginar… tudo é possível com o pequeno gesto que é escrever, enfim, só…

Eu sei


Se eu voar sem saber onde vou,
Se eu andar sem conhecer quem sou,
Se eu falar e a voz suar com a manhã...
Eu sei
Se eu beber dessa luz
Que apaga a noite em mim,
E se um dia eu dizer que já não quero estar aqui!
Só Deus sabe o que virá,
Só Deus sabe o que será,
Não há outro que conhece
Tudo o que acontece em mim.
Se a tristeza é mais profunda que a dor
Se este dia já não têm sabor
E no pensar que tudo isto já pensei...
Eu sei
Se eu beber dessa luz
Que apaga a noite em mim,
E se um dia eu dizer que já não quero estar aqui!
Só Deus sebe o que virá,
Só Deus sabe o que será,
Não há outro que conhece
Tudo o que acontece em mim.



sábado, 11 de fevereiro de 2006

Rotina

É ao fim do dia que acordo… passo o dia mecanizada, tudo o que faço faz parte de uma rotina, que já faço de olhos fechados.
Mas nunca deixo de acordar para ver as estrelas, para contemplar o céu escuro que cobre a cidade como um manto celeste. Sinto-me melhor de noite… onde não fico tão exposta. O dia derrota-me quando o sol se põe, depois o que fica é nada mais, nada menos do que a minha essência. O corpo fica caído na cama, moído da luta constante do dia, mas a minha essência paira sobre a cidade como um olhar indiscreto. É na noite que tudo acontece.
Nunca sentiste que é com o por do sol que chega a libertação?
Quando a noite chega trás o sonho, as nossas fantasias… à noite tudo é possível.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

A saudade



Sinto que mesmo antes de partires, já uma saudade que me corrói a alma, que me enfraquece o espírito. Sei que depois vai ser como um luto que nos cobre o olhar de negro e não deixa transparecer a vida.
Magoa saber que no fundo nunca estiveste aqui, do meu lado… ilusão a minha, quando por vezes, ao sentir o teu corpo, te considerava ali, presente, como se fosses meu.
Nunca te tive pois não?
Fazes-me falta, não digo que não, mas não faria sentido pedir-te para ficares. És como o vento, ora aqui, ora ali, para ti nenhum paradeiro é definitivo, tudo é temporário. Não vives, como eu, agarrado a um batalhão de sentimentos.

O que sinto, e não minto, é vontade de te esquecer…
Serás apenas a fotografia ao lado da minha insónia.
Uma memória que me segreda no escuro, aquilo que nunca existiu… que me faz adormecer…mas não esqueço a voz , pois o teu silêncio esmaga-me.

Desilusão


Estou desiludida!
Sinto que não é a primeira vez que passo por isto, mas estas são as tais situações em que não se aprende de forma a ficarmos preparados para a próxima. Cada desilusão é única. Aparece como um vendaval e arranca tudo do seu devido lugar e assim a ordem das coisas torna-se um caos, uma rebelião de sentimentos.
Não há nada a fazer, já sei, por isso limito-me a chorar quando penso em tudo o que se passou, ando pela casa em pijama, sem vontade sequer de me olhar no espelho, se o fizer, sei que choro ainda mais. Não me apetece comer, sinto um nó na garganta por tudo o que deixei de dizer e fazer.
Às vezes gostava de ser mais forte, fazer jus ao meu signo, Leão! Ser destemida e de coragem tal, que nada haveria de me fazer recuar. Enfim sonhar é fácil, no fundo somos todos cobardes e eu não sou diferente de ninguém, sou tão ou mais fraca do que qualquer um de vós.
De tanto trambolhão na vida este foi sem dúvida o menos feroz, já passei por situações bem piores, mas talvez seja por isso mesmo que me sinto assim é triste.A altura não poderia ser pior, estava a canalizar todo o meu esforço para dois objectivos, familiar e profissional e tinha tudo sob controlo, metódica como sou, sabia que tudo estava a correr como planeado, mas a surpresa surge, quando menos esperava, do campo sentimental. Depois ainda dizem que este tipo de sentimentos não atrapalham.Foi de efeito maremoto, chegou cobrindo-me com as suas ondas vorazes e nem deram tempo para me afogar, quando vi já estavam de partida, deixando para trás o caos e o silêncio, que só uma catástrofe é capaz de causar.
Mas ainda assim, de peito dorido, garantidamente, sei que amanhã vou estar lá de braços abertos para a vida, com o mesmo humor, com o mesmo sorriso, porque a vida tem tanta coisa boa, há tanto para aproveitar.As cicatrizes ficam e secam com o tempo e a vida continua.
O coração pode estar magoado mas vai bater com mais força, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Ainda que hoje me esconda com a minha cobardia, amanhã irei triunfar de braço dado com a vontade perpétua de vencer.
Enfim só!

Letras


O silêncio deixa-me ileso e que importância têm?
Se assim tu vês em mim alguém melhor que alguém.
Sei que minto pois o que sinto não é diferente de ti.
Não cedo, este segredo é frágil e é meu.
Eu não sei tanto sobre tanta coisa que às vezes tenho medo de dizer aquelas coisas que fazem chorar.
Quem te disse coisas tristes não era igual a mim.
Sim, eu sei que choro, mas eu posso querer diferente para ti.
Eu não sei tanto sobre tanta coisa que às vezes tenho medo de dizer aquelas coisas que fazem chorar.
E não me perguntes nada, eu não sei dizer.

Procura


Quanto mais procuro a razão, menos lógica lhe encontro.


Mudar ou não mudar?


Mudar ou não mudar?Tudo depende de nós, da decisão que se pode tomar, da visão que se tem diante da situação. A mudança em si exige força de vontade, coragem e paciência. Não é fácil mudar de direcção da noite para o dia, muito menos mudar de estilo de vida, de relacionamento, de cidade ou de emprego. Tudo requer um amadurecimento. Assim, as mudanças só ocorrem quando estivermos preparados para os resultados das mesmas. Não haverá um progresso na nossa vida se não soubermos valorizar 1 passo dentre os 10 mil que já demos. Por isso as mudanças acontecem e os resultados vêm logo em seguida.

Mudar é difícil porque geralmente nos acomodamos a tudo: pessoas, objectos, imóveis, emprego e sentimentos. Muitas vezes mudar significa subir mais degraus, ou simplesmente trocar de escada. Mas em todos os casos a mudança é necessária. E seja como for, ela só trará benefícios, pois ela representa nossa acção naquilo que nos fará ser alguém melhor ou naquilo que será melhor na nossa vida. Não devemos ter medo de mudar!Às vezes só precisamos olhar para os lados e descobrir novos caminhos, ou fechar uma porta para abrir uma janela.Mudanças para tudo que nos faz esmorecer, desanimar ou querer desistir para, finalmente, ser uma pessoa feliz.

Mudar o que está mal é evoluir, progredir ser alguém melhor e definitivamente mais realizada.Mesmo que isso implique ficar...enfim...só...!