Esta coisa da solidariedade tem muito que se lhe diga. Há peditórios para tudo e mais alguma coisas. Para o Manel, para a Maria, para o cão e o gato. Toda a gente pede por causas nobres. E se uma pessoa diz que não ainda recebe um olhar acusatório. Só somos boas pessoas se contribuirmos para a tal causa nobre.
Mesmo sabendo que a minha opinião pode ser um pouco radical, tenho que deixar claro que não acredito em metade das acções que andam por ai. E porquê? Porque tenho tido algumas provas, ao longo do tempo, de que algumas destas acções são puras patranhas.
Atenção que eu disse algumas!
Descobri mais uma onda de solidariedade que serve para encher a dispensa de quem a divulga. Supostamente, diz que é para dar aos pobres, mas a verdade é que se descobriu que os bens doados não chegavam a sair da dispensa da senhora, que consumia uma boa parte dos alimentos e vendia outros bens materiais, também doados, em sites tipos OLX e Custo Justo. É de revoltar os fígados.
Não é que eu não seja uma pessoa solidária. Faço o que posso, mas não deixo por mãos alheias, prefiro ir directamente ao consumidor. Andei quase dois anos, na rua, de madrugada, a distribuir refeições aos sem abrigo. Participei em alguns almoços de Natal para os sem abrigo. Doei todo o enxoval de bebé e criança
(coisas que a minha filha já não usava), a pessoas carenciadas com filhos. Doei, não vendi no OLX... E sempre que posso, dou bens alimentares aos sem abrigo que dormem nas ruas da Baixa.
E se fosse necessário mais exemplo de um acto de boa fé, dou-vos o exemplo do que estou a fazer esta semana. O meu prédio tem pelo menos 4 andares com pessoas idosas que vivem sozinhas. Pessoas que parece que só têm família no dia 10 do mês, quando recebem a pensão. Estão abandonadas o ano inteiro, a não ser no dia em que chega o pouco que recebem ao mês, depois de uma vida inteira de trabalho. Quem é que faz o IRS desta gente, quem é?
Je! Na primeira semana de Abril, os meus serões são a confirmar "paletes" de facturas de farmácia e a preencher os impressos
on-line para ajudar a vizinhança. E atenção, não cobro nada por isso. Para mim, é uma ajuda preciosa, uma vez que os filhos e os netos nem sequer se ralam com isso, e há muito boa gente que cobra para fazer este tipo de serviço.
Por isso, reforço...a solidariedade tem muito que se lhe diga.
Imagem retirada da net