
Ontem foi noite de voltar às ruas.
O ar gélido consumia-me a face que teimava em se manter vermelha, como o sangue que a grande velocidade me corria nas veias. Estava a mil. Esperei duas semanas para voltar a fazer o percurso que tanta esperança me dá.
A ronda foi a mesma de há quinze dias e por isso mesmo revi os mesmos rostos, os mesmos olhares só que desta vez com uma angústia agravada, trazida pelo frio.
A carrinha, já por eles tão conhecida, chegava com a refeição da noite mas reparei que os seus olhares caíam em busca de roupa e cobertores. Com esta vaga gelada o que os preocupa é saber que vão enfrentar a noite com a roupa que têm no corpo, alguns com sorte, contam com o cartão que lhes serve de resguardo, ou então com o fiel animal que os aquece durante a madrugada.
Não havia mantas e cobertores suficientes para todos…alias, poucos haviam.
Encontrei a mesma velhinha, sozinha em Santa Apolónia, a fumar a sua beata…pensativa, como se nada mais em sua volta existisse. Deixei-lhe um saco de comida e um copo de leite. Não foi preciso ouvir a palavra obrigado. A sua gratidão foi-me transmitida pelo olhar, durante o breve momento em que voltou à realidade. Olhar doce…rugas da vida.
Sempre que venho da “volta” sinto-me mais leve, os meus problemas, pequenos problemas dissipam-se e tenho noção de que cada vez mais tenho menos razões para me lamuriar da vida.
Não tenho tudo o que quero mas tenho tudo o que preciso.
O ar gélido consumia-me a face que teimava em se manter vermelha, como o sangue que a grande velocidade me corria nas veias. Estava a mil. Esperei duas semanas para voltar a fazer o percurso que tanta esperança me dá.
A ronda foi a mesma de há quinze dias e por isso mesmo revi os mesmos rostos, os mesmos olhares só que desta vez com uma angústia agravada, trazida pelo frio.
A carrinha, já por eles tão conhecida, chegava com a refeição da noite mas reparei que os seus olhares caíam em busca de roupa e cobertores. Com esta vaga gelada o que os preocupa é saber que vão enfrentar a noite com a roupa que têm no corpo, alguns com sorte, contam com o cartão que lhes serve de resguardo, ou então com o fiel animal que os aquece durante a madrugada.
Não havia mantas e cobertores suficientes para todos…alias, poucos haviam.
Encontrei a mesma velhinha, sozinha em Santa Apolónia, a fumar a sua beata…pensativa, como se nada mais em sua volta existisse. Deixei-lhe um saco de comida e um copo de leite. Não foi preciso ouvir a palavra obrigado. A sua gratidão foi-me transmitida pelo olhar, durante o breve momento em que voltou à realidade. Olhar doce…rugas da vida.
Sempre que venho da “volta” sinto-me mais leve, os meus problemas, pequenos problemas dissipam-se e tenho noção de que cada vez mais tenho menos razões para me lamuriar da vida.
Não tenho tudo o que quero mas tenho tudo o que preciso.