segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Ser poeta



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

2 comentários:

  1. Olha, mais uma a dar-lhe na Espanca.

    Tá bonito tá!

    :)

    P.S. - "Não achas que já estás a abusar?"

    LOLOLOL

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  2. Anónimo27.9.06

    Marta este poema transporta-me para a raiz da poesia, para a elequencia de cada verso sonhado, uma transparencia de metaforas que se juntam e nos transportam... Adoro Florbela, e a tua imagem consegue-me fazer saborear ainda mais essa transparencia da alma que se sente em cada seu poema... Simplesmente Lindo!

    Beijo grande :)

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