sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Chega!

Raramente abro o meu coração e exprimo o que verdadeiramente sinto, mas há sempre uma amiga do peito que nos permite atingir um estágio de liberdade emocional, onde é possível falar sobre o assunto. Em conversa com a minha melhor amiga, comentava que me sentia um pouco magoada com o insucesso da minha última relação. Com um tom firme disse-me: "Chega de arrastar cadáveres, chega! Acabou, morreu! Está na altura de abrir a janela, respirar o ar puro, seguir em frente."

Sábias são as palavras da minha amiga que me conhece tão bem e sabe que arrasto comigo um vazio imenso de algo que já expirou há algum tempo.

A minha última relação durou uns pares de anos mas nunca foi de pedra e cal, poderia até dizer que nunca foi um compromisso assumido. Seria um género de namoro inocente, em que ambos sabíamos que embora fosse bom estarmos juntos nunca iríamos ficar juntos. Esta relação tornou-se muitas vezes uma ralação, ora estávamos bem, ora estávamos mal. Fizemos as pazes vezes sem conta e recomeçávamos tudo outra vez, mas tal como o começo, depressa chegava o fim. Desde que o conheci que nunca mais me interessei por ninguém, por isso, posso dizer que nestes últimos seis anos lhe fui fiel, mesmo quando estávamos afastados. Em contrapartida, do outro lado, houve pelo menos um par de tentativas para encontrar alguém. Das duas vezes fui devidamente notificada, não sei bem se pelo facto dele precisava de ficar de consciência tranquila, ou se terá sido um gesto de misericórdia a fim de me libertar, a verdade é que, independentemente da razão pela qual o fez, a mim, doeu-me horrores.

Por razões que desconheço, acabou sempre por ficar sozinho, o que fez com que de uma forma ou de outra, acabássemos por retomar "velhos hábitos", se é que me entendem. Este último retorno foi diferente, pelo menos para mim. A minha cabeça estava em sintonia com o coração e achei que finalmente, tínhamos chegado à conclusão de que não conseguimos estar muito tempo um sem o outro. Que o que existia entre nós era algo único e que jamais se dissiparia.

Voltou a partir. E aqui, dentro do meu peito ficou novamente a tristeza de perceber que há coisas que não mudam, nunca. Chega de arrastar cadáveres, como diz a minha amiga. Chega de achar que com ele vai haver um "e foram felizes para sempre".


6 comentários:

  1. Força nisso Cat! Seis anos é muito tempo para estar numa relação pouco (ou não totalmente) satisfatória!
    Uma miuda que lê enquanto anda merece uma relaçao top! :D :D

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    1. Uau! Fico feliz quando vejo que vocês já me conhecem melhor do que o que eu penso. Adorei a tua última afirmação :) É isso mesmo, mereço uma relação top!
      Thanks

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    2. A minha opinião:
      Viemos ao mundo para viver sozinhos, ocasionalmente acompanhados. Viver feliz é ser como uma abelha a voar de flor em flor. Quando se acaba o pólen, não se deve ficar a colher o fel mas seguir voo sozinhos, tal como viemos ao mundo. O rumo? A felicidade.

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    3. É uma forma de ver as coisas. Para já, o estar sozinha não me assusta, mas confesso que com o passar dos anos é algo que tem vindo a crescer em mim. Talvez porque acredite que todos nós devemos envelhecer junto da nossa cara metade. Romantismo ou não, creio que o ser humano não foi feito para estar só.

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  2. Pois Cat, sei anos é muito tempo, já diz a minha amiga Inspired... Bola prá frente que atrás vem gente. Antes do mr.Bono andei numa realção dessas, vai não vai, não ata nem desata, começa acaba. Continuo apenas a arrepneder-me de ter perdido tanto tempo numa coisa que não dava nada. Mas a vida é mesmo assim e se não tivesse ficado tanto tempo a empatar não me teria encontrado com o mr.Bono, naquela altura em que ambos estavamos desimpedidos.

    beijinhos

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  3. Essa também é parte da minha história, por isso percebo perfeitamente o que dizes.
    As minhas amigas tantas vezes me diziam para seguir em frente, que nunca ia ser feliz com ele, e eu dizia-lhes que sabia isso, mas não queria ficar sem ele. Chegou ao ponto de ele ter um filho (faz esta semana 1 ano) com a ex e eu só saber 2 dias antes. Foi muito mau. Fui ao fundo mas já me levantei. E não o quero ao meu lado. Espero que consigas não arrastar mais esse cádaver. Beijinhos

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