quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ser solidário ou parecer solidário...


Esta coisa da solidariedade tem muito que se lhe diga. Há peditórios para tudo e mais alguma coisas. Para o Manel, para a Maria, para o cão e o gato. Toda a gente pede por causas nobres. E se uma pessoa diz que não ainda recebe um olhar acusatório. Só somos boas pessoas se contribuirmos para a tal causa nobre.

Mesmo sabendo que a minha opinião pode ser um pouco radical, tenho que deixar claro que não acredito em metade das acções que andam por ai. E porquê? Porque tenho tido algumas provas, ao longo do tempo, de que algumas destas acções são puras patranhas. Atenção que eu disse algumas!

Descobri mais uma onda de solidariedade que serve para encher a dispensa de quem a divulga. Supostamente, diz que é para dar aos pobres, mas a verdade é que se descobriu que os bens doados não chegavam a sair da dispensa da senhora, que consumia uma boa parte dos alimentos e vendia outros bens materiais, também doados, em sites tipos OLX e Custo Justo. É de revoltar os fígados.

Não é que eu não seja uma pessoa solidária. Faço o que posso, mas não deixo por mãos alheias, prefiro ir directamente ao consumidor. Andei quase dois anos, na rua, de madrugada, a distribuir refeições aos sem abrigo. Participei em alguns almoços de Natal para os sem abrigo. Doei todo o enxoval de bebé e criança (coisas que a minha filha já não usava), a pessoas carenciadas com filhos. Doei, não vendi no OLX... E sempre que posso, dou bens alimentares aos sem abrigo que dormem nas ruas da Baixa.

E se fosse necessário mais exemplo de um acto de boa fé, dou-vos o exemplo do que estou a fazer esta semana. O meu prédio tem pelo menos 4 andares com pessoas idosas que vivem sozinhas. Pessoas que parece que só têm família no dia 10 do mês, quando recebem a pensão. Estão abandonadas o ano inteiro, a não ser no dia em que chega o pouco que recebem ao mês, depois de uma vida inteira de trabalho. Quem é que faz o IRS desta gente, quem é? Je! Na primeira semana de Abril, os meus serões são a confirmar "paletes" de facturas de farmácia e a preencher os impressos on-line para ajudar a vizinhança. E atenção, não cobro nada por isso. Para mim, é uma ajuda preciosa, uma vez que os filhos e os netos nem sequer se ralam com isso, e há muito boa gente que cobra para fazer este tipo de serviço.

Por isso, reforço...a solidariedade tem muito que se lhe diga.

Imagem retirada da net

15 comentários:

  1. Também penso como tu. Acho que devemos dar mas saber a quem estamos a dar. eu prefiro dar em mãos.

    Há muita gente a ganhar à conta da falsa solidariedade. A única solidariedade que têm é com a sua carteira.

    Acho que se não pudermos fazer muito, o pouco que oudermos faz toda a diferença. e tu és uma querida ao fazeres i irs a todos. creio que no fim dessa tarefa, também ganharás - não em géneros mas algo te fará sentir que valeu mesmo a pena.

    Beijinho

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    1. Ganho pois! A minha avó sempre me ensinou que as acções ficam para quem as pratica, e eu, sinto-me bem por ajudar quem precisa. Agora, não dou só para parecer bem, isso não. Antes ser do que parecer, entendes?

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  2. Sou outro a pensar assim! As boas acções são para se fazer para quem precisa e quanto menos "intermediários" houver, melhor!

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    1. Nem mais Sérgio, nem mais!

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  3. Tem mesmo muito que se lhe diga! Ainda ontem vi na tv um caso desses que foi pura mentira e sso revolta-me!! Tambem sei de uma associaçao na terrinha que recebe os bens alimentares as empregadas tiram os "melhorzinhos", os que têm marca e os outros é que dstribuem por quem precisa....Que revolta!

    Beijinho*

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    1. Pink, é por essas e por outras que desconfio sempre.

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  4. hoje em dia há muita gente a lucrar com a solidariedade dos outros....

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    1. Pois...mais do que se possa imaginar.
      Mesmo as associações Maria, mesmo as associações, quanto mais os que criam ondas solidárias a titulo individual...há que ajudar mas...como diz o Sérgio, quanto menos intermediários melhor.

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  5. Aqui em casa há quem me chame "coração de pedra" no que toca a solidariedade. Mas isso deve-se pela razão que referencias-te: há muita acçãozinha por aí que ajudar é a sua ultima intenção. Já presenciei situações muito semelhantes e que desde aí fez-me e faz-me questionar essas ondas de solidariedade. Sou como tu, prefiro ser eu a fazê-lo do que por vias de outros, ao menos assim eu sei que a ajuda chegou a quem realmente precisa.

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    1. Alexas, essa é uma das razões deste meu desabafo. Ontem vieram ter comigo a pedir para ajudar numa dessas "ondas solidárias". Disse que não. Havias de ver a forma como olharam para mim...fonix! Fiquei lixada. Ainda para mais porque são umas tias todas finas, que só andam nisto porque é bem! Entendes? Pfuuuuuuuuu....

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  6. às vezes leva-nos a duvidar do ser humano!
    eu já nem sei em quem acreditar!

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    1. Estrela, há que ter fé na humanidade, mas de olho bem aberto, porque há por ai muita gente vigarista.

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  7. Eu confesso que não sou muito solidária porque ele quase me chega e desconfio sempre um bocado...

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    1. Dora, eu dou o que posso...quando posso, a quem quero.
      Não suporto gente vigarista, não suporto. E muito menos que levem a mal que eu não seja "solidária" com as causas nobres que andam por ai.

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  8. Parabéns Marta, essa é uma grande ajuda para os teus vizinhos.
    E obrigada pelas palavras. Até parece que me conheces :)

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