sábado, 21 de abril de 2007

Uma destas noites...


…sonhei que ia a subir a minha rua e deparei com uma fila de gente que parecia ser para o autocarro ou coisa parecida, não consegui definir.

Em vez de seguir o meu caminho deixei-me ficar na fila e fiquei a mirar um fulano que estava logo à minha frente. Era muito interessante, uma cara familiar no entanto um desconhecido.
Deixei-me ficar na fila, subindo lentamente a rua e sempre fitando o olhar dele.
Quando cheguei à minha porta, deixei a fila e tirei a chave do bolso, denunciando o meu destino.
Ele olhou para trás estranhando a minha permanência na fila quando o destino era outro.
Olhamos os dois para trás, rimo-nos…eu hesitei entrar no prédio, ele hesitou seguir na fila, voltamos a olhar…e eu parei, não abri a porta, ele não deu nem mais um passo em frente. Em vez disso virou-se e veio até mim.


Lembro-me bem dos olhos, do ar meigo.

Lembro-me bem do sorriso.
Sinto ainda em memória o cheiro.
Ficamos a olhar e a rir um para o outro.
Não me recordo de ter trocado palavras.
Recordo-me apenas que éramos feitos um para o outro.

Queria voltar, queria dormir de novo e sonhar com ele.

Como é possível criar-mos alguém em sonhos...alguém que não existe?

3 comentários:

  1. "Os deuses gregos, porém, eram ciumentos, e viram que a criatura que tinha quatro braços trabalhava mais, as duas faces opostas estavam sempre vigilantes e não podiam ser atacados a traição, quatro pernas não exigiam tanto esforço para ficar de pé ou andar por longos períodos. E, o que era mais perigoso, a tal criatura tinha dois sexos diferentes, não precisava de ninguém para continuar a reproduzir-se.
    Então, disse Zeus, o supremo senhor do Paraíso: "Tenho um plano para fazer com que estes mortais percam a sua força."
    E, com um raio, cortou em dois, criando o homem e a mulher. Isso aumentou muito a população do mundo, e ao mesmo tempo desorientou e enfraqueceu os que nele habitavam - porque agora tinham de procurar de novo a sua parte perdida, abraçá-la novamente, e nesse abraço recuperar a força antiga, a capacidade de evitar a traição, a resistência para andar durante longos períodos e aguentar o trabalho cansativo. A esse abraço em que os dois corpos de fundem de novo em um chamamos sexo."

    in Onze Minutos, Paulo Coelho

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  2. Busca e acharás, bate e entrarás, pede e terás.

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  3. Não voltei a sonhar a mesma coisa...acho que vou acabar por esquecer...algo que nunca conheci.

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