quinta-feira, 30 de março de 2006

O tempo faz milagres!


A boa disposição continua, talvez seja mesmo do efeito amenizador da Primavera.
De qualquer forma sinto que algo está a mudar, de facto com o tempo tudo passa…

Aqui fica um dos meus poemas preferidos de Florbela Espanca.
(está tudo dito)


A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento…
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo “Pedro Sem”,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco de um tormento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre…desfaz-se…
Uma saudade morte em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida…

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, Meu Amor, se é isto a vida!

Sonetos de Florbela Espanca

sábado, 25 de março de 2006

E tudo o vento levou...


Sinto-me particularmente bem disposta!
O vento mudou de direcção, está a soprar a meu favor e eu vou aproveitar a boleia.
Sei que é apenas uma fase, mas porque não aproveitar ao máximo esta lufada de ar fresco? Ao menos sei que se cair outra vez, entre a ascensão e a queda sempre aproveitei alguma coisa.
Que se lixe os moralismos!

quarta-feira, 22 de março de 2006

Confesso...


Um dos meus grandes receios sempre foi o facto de me expor ao ridículo, pode parecer inacreditável mas eu sou uma pessoa envergonhada, pouco social. Quem me conhece, diz agora com toda a veemência: TU?
Sim, eu!!!
Eu quero parecer forte, senhora de si, aquela pessoa que sabe sempre o que fazer ou dizer em todas as alturas, mas não é verdade e só eu sei como não é verdade.
Sou insegura, fraca, acanhada não luto pelo que quero… sei que vou estar sempre à espera que tudo se transforme naturalmente sem o meu esforço, sem ter de me expor, sem sequer me preocupar com as consequências.
Às vezes minto a mim mesma e começo o dia com uma força imensa que parece inundar tudo e todos, chego inclusive a convencer-me de que sou assim, até ao primeiro obstáculo. Depois volto a fazer a minha melhor arte, refugiar-me… não interessa no quê, um cigarro, uma saída, um cinema…muitas e muitas folhas de papel e lá estou eu na minha carapaça longe do mundo, longe de quem me possa magoar.
Talvez por tudo isto nunca consiga falar dos meus sentimentos abertamente, sem rodeios ou floreados, escrevo como se contasse uma história, mas a minha vida não é uma história, é real, onde nem tudo é bonito, nem tudo é perfeito.
Sou uma pessoa instável e isso tende a piorar com o passar dos anos, até porque acho que estou cada vez pior, talvez por falta de elasticidade mental, ou até mesmo porque a idade nos torna cada vez mais sóbrios.
Ultimamente mudo de humor de uma forma brutal, ora ando uma semana com uma energia inesgotável, ou assim parece, ou então ando melancólica e quase sempre ausente deste planeta. Quem me rodeia sente isso! Depois perguntam-me: não andas nos teus dias pois não?
Como é que são os meus dias para notarem a diferença? E porque não tenho eu a capacidade de me camuflar de forma a não tornar tudo isto tão óbvio?
Claro está que depois vou negar tudo, dizendo que de facto padeço apenas de um mal-estar passageiro, mas que não tarda estou outra (como se isso fosse possível, pois sim!).

Tenho de me capacitar que não faz mal chorar na frente dos outros, não é um acto de fraqueza mas sim de confiança. Não ter medo de errar sendo esse um gesto tão humano. Aceitar que nem sempre posso ser o centro das atenções, porque mais alguém merece partilhar o pódio comigo. Aceitar um não com a convicção de que quando se fecha uma porta em algures se abre uma janela. Acreditar no impossível, questionar o inevitável… Tenho de ter fé… é no fundo esse o meu problema, não ter fé.

terça-feira, 21 de março de 2006

A minha cidade...Lisboa.


Na semana passada encontrei sobre uma das sete colinas da cidade o mais radioso pôr-do-sol. Ao fim da tarde, depois da azáfama do dia-a-dia o sol deitou-se lentamente, com todo o seu esplendor soube pintar o céu de um tom laranja vivo, quente e harmonioso…
Há dias, em que à tardinha, espreito a cidade do seu altivo castelo e encontro sempre algo de novo. Um cheiro, uma cor… há tanta vida em meu redor. As pessoas são como formigas que se deslocam freneticamente, sempre atarefadas, nas ruas, nas praças, nos becos… sobem e descem as calçadas sem notar o que nelas há de melhor.
O toque do eléctrico com o soar grave do apregoar das varinas, sim porque em Alfama ainda se vende assim o peixe. As peixeiras…ai as peixeiras, essas sim têm sangue na guelra que com as cesta cheias de sabores do mar dão vida a estas ruas.
Que contraste interessante, pois se de dia a voz que se ouve é de trabalho, a da noite chega embrulhada em prazer, na voz das fadistas que lotam as casas típicas com gente da cá e muitos de fora.
A minha cidade é linda com as suas igrejas e o som dos seus sinos, com os seus miradouros, esses bairros castiços, essa gente bairrista que anda de tairoca…é o meu mundo, onde gosto de viver… é assim a minha velha Lisboa.

sábado, 18 de março de 2006

Não nego...



Assim eu sei que dói, porque te vi, pelo que senti.
Sei que moras aqui, no meu peito…
Se bem que hoje não passa de uma lembrança,
já não existe a essência carnal entre nós,
tudo o que resta são recordações de cheiros,
palavras ditas ao ouvido mas nunca ao acaso…
sei o que sinto e por isso não minto.
Ainda moras aqui!

Amor é...



Amor... é isto e muito mais...

Amor é.....
É uma misturada de sensações!
É uma confusão de sentimentos.
É tentar controlar o que não tem controle!
É tentar fugir ao que se está preso!
É tentar ser simplesmente feliz!
É dominar o que não se domina!
É querer chorar e sair um sorriso!
É ser livre estando-se preso!
É sonhar acordado!
É como o amanhecer sobre o horizonte
É sentir o calor dos raios a aqueçer
A brisa a soprar e a assobiar
Acordar e sentir um agitar
O coraçao a bailar sem parar
É viver e ter razao para acordar
Adormecer e desejar sonhar
Sorrir e chorar
Fechar os olhos e sentir
Deixar de ouvir e sentir a voz
Chorar baixinho sem saber porque
Porque o amor é assim
É ser feliz e é sofrer
É estar contente e sentir o mundo
É crescer e desejar ser criança
É ser criança e pensar como adulto
É preocupar em dar
É dar sem querer receber
E do nada encontrar uma razao de ser
Ser sem desejar existir!
Porque o amor é assim.

Assim espero... assim acredito!